5 escândalos envolvendo Dilma Rousseff na Lava Jato


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Você talvez não se lembre disso, mas Dilma Rousseff foi uma das presidentes mais populares da história do Brasil. Não muito tempo atrás, em março de 2013, 8 em cada 10 brasileiros aprovavam sua administração. A primeira mulher a ocupar à Presidência da República era enxergada como honesta, sem muita paciência para politicagens e uma hábil gerente capaz de impor uma faxina ministerial aos partidos da base e tirar os corruptos da Esplanada dos Ministérios.

O ícone “Dilma Honesta e Trabalhadora” não foi construído da noite para o dia. O governo contou com farta ajuda da imprensa. Ana Maria Braga recebeu a presidente para fazer ovos mexidos e comentar sua fama de “durona”. Regina Casé levou Dilma ao “Esquenta!” para fazer propaganda do seu governo. A Veja elegeu as medidas econômicas do consórcio Mantega-Rousseff como um “choque de capitalismo”. A ISTOÉ chegou ao ponto de usar a palavra “presidenta” – uma expressão ideologizada na nossa história recente – como destaque, publicando que Dilma Rousseff representava o novo PT.

Nem em seus derradeiros momentos, a mídia abandonou Dilma. Em agosto de 2015, após as grandes de manifestações realizadas em março, o vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, se reuniu com senadores do PT e PSDB pedindo moderação. Em editorial, o jornal do grupo pediu explicitamente para que o Congresso parasse de se opor ao governo e a permitisse “governabilidade”.

Como monges budistas que repetem seus mantras em busca do nirvana, o petismo tenta manter seu departamento de narrativas estruturadas em pé repetindo amiúde uma ideia lentamente erigida pela imprensa que chama de golpista. Como os 5 episódios abaixo irão demonstrar, a ideia de que Dilma é uma hábil gerente honesta sem traquejo político sempre foi, e nunca deixou de ser, um golpe.

1. A refinaria de Pasadena

Não é incomum que empresas tomem decisões erradas. Aquisições mal feitas, fusões mal pensadas e reposicionamentos mal colocados podem até mesmo decretar o fim de uma companhia. Mas pouca coisa consegue superar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.

Em 2006, a estatal pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria. A instalação foi apelidada de “ruivinha” pelos técnicos da Petrobras, uma referência à ferrugem que se espalhava pelos equipamentos do lugar. O valor assustava – era muito superior ao desembolsado pela belga Astra Oil, que pagou US$ 42,5 milhões por toda a refinaria em 2005, vendendo metade à estatal brasileira um ano depois.

O contrato de aquisição firmado pela Petrobras continha as cláusulas put option e merlim. Esses elementos obrigavam a companhia brasileira a comprar a parte da Astra Oil em caso de desentendimento e previam uma taxa de lucro mínima para a empresa belga.

Em 2008, Petrobras e Astra Oil se desentenderam sobre como administrar os investimentos necessários na unidade. A companhia belga acionou a cláusula put option e levou o problema ao judiciário americano. Como consequência, a Petrobras foi obrigada a comprar a outra parte da refinaria por incríveis 820 milhões de dólares.

Ao final, a empresa belga lucrou mais de 1 bilhão de dólares apenas comprando e vendendo uma refinaria velha para a estatal brasileira.

Dilma sentava no Conselho de Administração da Petrobras quando o pior negócio da história da empresa foi firmado. Mais do que isso, presidia as sessões e era vista como a voz do governo dentro da companhia. Poderia ter evitado a compra da refinaria de Pasadena ainda em sua fase inicial, quando a estatal pagou nove vezes mais por metade da aquisição da Astra Oil.

A ex-presidente se defende afirmando que recebeu informações incompletas da Diretoria da Internacional da Petrobrás sobre o negócio. É estranho que uma gestora que chegou ao ponto de instalar um sistema de câmeras em obras do PAC a fim de monitorá-las em tempo real, não tenha sido capaz de ler um contrato bilionário por inteiro.

Nestor Cerveró, Diretor Internacional da Petrobrás à época, afirma que recebeu propina pelo negócio e que Dilma sabia disso. Para ele, a versão da ex-presidente “não corresponde à realidade”. De acordo com o delator, o Conselho de Administração não aprova ou reprova com base apenas no resumo executivo, e que a compra foi aprovada na sua Diretoria na quinta, e no Conselho um dia depois, algo pouco usual dentro da estatal.

2. Sim, Dilma trocava cargos por apoio político

Na primeira eleição que disputou, Dilma foi apresentada ao mundo como a gestora mãe de todas as boas obras do governo Lula. Do Bolsa Família ao PAC, tudo teria passado pela mente de Dilma Rousseff. Era um quadro técnico, não político, disputando a presidência do país.

A imagem de administradora incapaz de entrar nos jogos de poder foi reforçada com a faxina ministerial. Para parar a corrupção, Dilma enquadrou os partidos da base aliada e demitiu sete ministros no seu primeiro ano de mandato, ajudando a fixar na imagem da população que não trocava votos por cargos e verbas.

O grande problema é que ela sempre trocou. Quando o PR ameaçou embarcar na campanha de Aécio Neves, o partido conseguiu indicar um dos seus para o Ministério dos Transportes. No final de 2014, Dilma necessitava alterar a meta fiscal do ano de 2014 para legalizar o rombo que suas políticas provocaram nas contas públicos, e o fez ampliando o déficit em 10 bilhões de reais para atender as emendas parlamentares de congressistas que votassem ao seu favor.

Durante o processo de impeachment, Dilma fez uma reforma ministerial para afagar o ego do PMDB, dando ao partido sete ministérios. Leonardo Picciani – membro de uma das famílias mais poderosas do Rio de Janeiro e investigada em diversos crimes – pôde indicar dois ministros: Marcelo Castro (PMDB-PI) na Saúde e Celso Pansera (PMDB-RJ) na Ciência e Tecnologia. Picciani pagou sua fatura votando contra o impeachment, para logo em seguida assumir um ministério no governo Temer.

Em dado momento, Dilma escalou Lula para negociar votos contra o impeachment. Os congressistas iam até a suíte do líder petista no hotel Royal Tulip, em Brasília, e ouviam a seguinte pergunta:

“O que você precisa para ficar com a gente?”

3. Dilma agiu contra a Lava-Jato e falhou miseravelmente.

Dilma e seus aliados sempre se defenderam afirmando que o seu governo foi o que mais investigou a corrupção na história do Brasil. Com orgulho, afirmava que não interferia nas investigações. Certamente, não por falta de tentativa.

O ex-senador, líder do governo no Congresso e agora delator, Delcídio do Amaral, afirma que em ao menos três ocasiões diferentes, Dilma tentou obstruir os trabalhos da Lava-Jato.

Em uma delas se reuniu fora da agenda de ambos com o então presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Levandowski na cidade do Porto, em Portugal, pedindo que ele intervisse por Marcelo Odebrecht no tribunal – o que foi negado. Em outra ocasião, teria tentado cooptar o ministro suplente no Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto, prometendo uma vaga permanente no Tribunal Cidadão se votasse a favor dos empreiteiros envolvidos na Lava-Jato, o que também foi negado. Por fim, Dilma achou o então desembargador do TRF da 5ª Região Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, que aceitou o acordo, para ser indicado para o STJ, em troca do seu voto a favor da soltura de Odebrecht – o grupo não contava que os outros ministros julgadores do caso fossem votar na direção contrária.

E Odebrecht não foi o único empresário que Dilma tentou salvar da Lava-Jato. O casal de marqueteiros que fez sua campanha, João Santana e Monica Moura, também recebeu uma atenção especial do governo.

No final de 2014, poucos meses após a campanha, Dilma fez Monica Moura voltar dos EUA, onde passava férias, a fim de estabelecer uma conversa reveladora. Nos jardins do Palácio do Planalto, Dilma alertou a marqueteira que a investigação estava avançando rápido e questionou se a conta na Suíça do casal era protegida.

Atendendo o pedido de Dilma para criar um meio seguro de comunicação entre a presidente e ela, Monica Moura criou um email para ambas se falarem. O email 2606iolanda@gmail.com era acessada pelas duas, que criavam mensagens nos rascunhos sem enviá-las, apenas visualizando, apagando o conteúdo da mensagem anterior e escrevendo o novo. Quando Monica recebia um recado cifrado de algum dos assessores de Dilma no WhatsApp, ela checava o email.

O endereço eletrônico foi registrado em ata notarial no cartório, lavrada em 13 de julho de 2016. O tabelião acessou o email e viu a última troca de conversas entre Dilma e Monica. A mensagem cifrada alerta o casal do comprometimento de ambos pelas investigações.

Além disso, Dilma teria insistido para que os seus marqueteiros mudassem sua conta da Suíça para Singapura. E ligou pessoalmente para ambos, a fim de informá-los que sua prisão era iminente.

4. Ela moveu a corrupção da Petrobrás para outros lugares.

No longínquo ano de 2012, a Petrobrás demitiu os diretores Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada. A companhia promoveu uma reestruturação e colocou as diretorias comandas pelo trio sob supervisão direta de Graça Foster, presidente da estatal e pessoa de confiança de Dilma Rousseff.

Os três demitidos seriam presos anos mais tarde, na Operação Lava-Jato, acusados de corrupção. E isso seria suficiente para o Brasil247 afirmar que Dilma caiu porque não roubou e não permitiu que roubassem.

A sangria pode ter sido estancada na Petrobras, mas não parou no governo. A já combalida estatal pode ter sido poupada de novos assaltos, mas suas subsidiárias e outras empresas sob supervisão de Dilma passaram a sofrer.

Nestor Cerveró, Diretor Internacional da Petrobrás antes de Jorge Zelada, ganhou a Diretoria Financeira da BR Distribuidora por ter resolvido o imbróglio criado pelo PT com o Grupo Schahin. O banco do grupo havia emprestado dinheiro a mando do partido ao pecuarista e amigo de Lula, José Carlos Bumlai. A dívida foi paga fazendo a Petrobras contratar a empreiteira dos Schahin para operar sondas.

Outra máquina de gerar propinas criada no governo Dilma foi a Sete Brasil. Joint-venture entre fundos de pensão de estatais, bancos (inclusive CAIXA e Banco do Brasil) e empreiteiras, a companhia tinha como objetivo reconstruir o setor naval do país. No final, a única coisa reconstruída foi a máquina de propinas do PT.

Diferente da Petrobras, os contratos da Sete Brasil só rendiam frutos irregulares para o Partido dos Trabalhadores. João Carlos Medeiros Ferraz tornou-se presidente da Sete Brasil e Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras na diretoria de Renato Duque, passou a ser um dos executivos do empreendimento com a missão de garantir que 0,9% de cada contrato bilionário da empresa abastecesse o PT. O esquema era o mesmo utilizado na Petrobras.

Em delação premiada, o presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, afirmou que outra obra icônica do governo Dilma Rousseff foi construído com base no pagamento de propinas. De acordo com Azevedo, sua empreiteira pagou R$ 150 milhões pela construção da Usina de Belo Monte.

5. Até o cabeleireiro de Dilma foi pago com dinheiro de corrupção.

Nas suas alegações finais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a defesa da presidente afastada em definitivo diz que não há depoimento que tenha mostrado “qualquer participação direta [de Dilma] ou indireta em atos de corrupção para obtenção de doações eleitorais, seja no âmbito da Operação Lava Jato ou de qualquer outra investigação”.

O escrito vai contra diretamente o que um sem número de testemunhas levantaram. Marcelo Odebrecht, habituado a bancar as campanhas do partido da presidente, afirma ter sido orientado por Guido Mantega, que, por sua vez, tinha recebido ordens de Dilma Rousseff, para não doar diretamente para o PT, e sim apenas para a campanha de Dilma. E assim foi feito.

O dinheiro da Odebrecht também teria servido para a campanha de Dilma comprar o apoio do PROS, PRB, PCdoB e PDT para a corrida à reeleição.

Como revelam as delações dos marqueteiros do partido, o dinheiro desviado pela Odebrecht e o PT no esquema da Petrobrás serviu até mesmo para o pagar o teleprompter e o cabeleireiro de Dilma.

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