Questão chave sobre 2018 não é o PSDB, mas o PMDB


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O resultado das urnas mostra que os grandes derrotados foram Lula e o PT, enquanto Alckmin e o PSDB saíram vitoriosos. Então, o jornalismo político já avalia que o governador paulista tem grande chance de ser o candidato do PSDB em 2018 e especula se os tucanos vão conseguir superar suas brigas internas para se unir em torno dessa candidatura. Eu, porém, prefiro refletir como seria um eventual governo tucano que começasse em 2018 e, nesse caso, não há dúvida de que a grande questão é saber com que objetivo o PMDB poderia apoiar a candidatura e o governo de um tucano, seja ele quem for.
De fato, o PMDB é o maior partido do Brasil e, nestas eleições, elegeu mais prefeitos que qualquer outro – embora as cidades administradas por tucanos sejam mais populosas. Sem contar com o apoio do PMDB, será muito difícil vencer a eleição e, talvez até mais ainda, governar. O problema é que o PSDB já deixou de ser a opção preferencial do PMDB desde a metade do segundo mandato presidencial de Fernando Henrique. E por quê? Porque o projeto modernizador dos tucanos passa pelas privatizações e por aumento da eficiência do aparelho estatal, ao passo que o PMDB é uma agremiação sem ideologia, fisiológica e patrimonialista – o mesmo valendo para a grande maioria dos partidos brasileiros: PTB, PP, PRB, etc.
Nesse sentido, o PMDB só apoiou Fernando Henrique porque a crise inflacionária que se arrastava desde 1980 estava destruindo a economia e, sendo assim, a necessidade de um mínimo de reformas modernizadoras era incontornável. Entregaram os anéis para não perder os dedos. E o segundo mandato de FHC foi pobre em reformas (as privatizações pararam, por exemplo) justamente porque a base aliada entendeu que a estabilidade econômica tinha vindo para ficar e retirou seu apoio para as reformas. Em 2002, Sarney e outros caciques do PMDB e do antigo PFL, como o Toninho Malvadeza, apoiaram Lula porque o PT é mais conveniente para os interesses dos posseiros do Estado, na medida em que investe no agigantamento da máquina.
Portanto, avalio que o PMDB poderá apoiar um candidato tucano que se disponha a ser tão ou quase tão medíocre quanto Temer tem sido. Afinal, o fundo do poço da crise econômica aconteceu com Dilma e, agora, a tendência é ir melhorando devagar. Michel Temer – cujo mandato deveria ser cassado pelo TSE, se o dinheiro do petrolão irrigou a campanha da chapa Dilma/Temer – mostrou que pode fazer algumas mudanças positivas e importantes, como a reforma do ensino médio. Mas os cortes de gasto ficaram entre o insuficiente e o abaixo do ideal, as privatizações não vão acontecer – até porque a maioria dos eleitores é contra – e ninguém no governo fala em abertura da economia.
Temer, o PMDB e a maioria dos políticos brasileiros são uns parasitas do Estado, de sorte que reformas modernizadoras só acontecem de forma razoavelmente rápida quando a casa está caindo, o que não é o caso agora. Os tucanos podem até levar o próximo pleito presidencial (não arrisco palpite algum), mas me parece que um governo Alckmin ou Aécio só conseguiria ser, no máximo, menos ruim do que o governo Temer, o qual, por sua vez, tem sido só um pouco menos medíocre do que o governo Lula (que, não por acaso, Temer ajudou a eleger e reeleger…).
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