Caso Cunha: geógrafos petistas pensam que todo mundo é igual a eles


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Assinei uma petição online em favor do impeachment de Dilma Rousseff e outra pela cassação de Eduardo Cunha – ambas pelo Change.org, já que eu não prestigio a Avaaz de maneira alguma. Do mesmo modo, entendo que Michel Temer deveria ter seu mandato cassado, na medida em que, como a chapa pela qual ele se elegeu vice-presidente era única, o dinheiro do petrolão, se entrou nas contas de campanha de Dilma, beneficiou também a candidatura dele. São todos posicionamentos coerentes com a defesa da democracia, do Estado de Direito e da ética na política.
Bem diferente é o caso dos geógrafos petistas – expressão que é quase um pleonasmo… -, já que a grande maioria deles não se preocupa em defender princípios e nem em ser coerente com as teses que expõe em seus trabalhos acadêmicos. Realmente, a maior parte dos geógrafos e professores que se dizem “críticos” não têm autocrítica e, por isso, defendem cegamente um partido que cometeu estelionato eleitoral e em cujos governos funcionaram os maiores “esquemas” de corrupção da história do Brasil!
Já tratei dessas contradições e dessa cegueira ideológica no livro Por uma crítica da geografia crítica – que, aliás, está para ganhar uma versão digital. Volto à questão agora porque, esta manhã, ao chegar para o trabalho, vi que alguém colou, bem de frente para a porta do elevador, um cartaz escrito “Bom Dia!” e, logo abaixo, reportagens de jornal de página inteira sobre a recente cassação de Eduardo Cunha. Curioso, dei uma olhada rápida nos outros dois andares do prédio e não vi mais cartazes como aqueles em frente às portas dos elevadores. Não sei se aquele cartaz era uma provocação direcionada a mim ou se era apenas uma comemoração pública de alunos e/ou de professores que usam o mesmo andar onde eu trabalho. 
De qualquer modo, saber isso não é importante. O importante é apenas ter em mente que, não bastasse os professores, pesquisadores e estudantes que se dizem críticos tomarem posições com base na lógica de um peso e duas medidas, ainda supõem que todos aqueles que discordam de suas “ideias” e opiniões são iguais a eles. Ou seja, pensam que, se tudo o que eles dizem e fazem é em favor do projeto de poder do PT, então todos que defendem ideias diferentes das deles só podem estar trabalhando para políticos e partidos de oposição ao PT.
Muito ao contrário do que pensam esses que se dizem críticos, o compromisso com a objetividade e a neutralidade tem de ser um norte ético para as atividades de ensino e pesquisa, pois somente quem assume esse compromisso pode escapar das incoerências e hipocrisias em que eles incorrem. Prova disso é que eu posso avaliar políticas públicas sem entrar em contradição com o que já publiquei sobre temas correlatos e, ao tratar de ética na política, posso comemorar tanto o impeachment de Dilma Rousseff quanto a cassação de Eduardo Cunha, conforme os links abaixo.
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