Boicote de professores hipócritas à imprensa só pode melhorar o jornalismo


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Recentemente, alguns pesquisadores se negaram a dar entrevista ao jornal O Globo sob a alegação de que as Organizações Globo fazem um jornalismo parcial, enviesado, mentiroso, e assim por diante. Seguindo a mesma linha de acusação, um grupo de professores e intelectuais organizou uma petição para que a comunidade acadêmica se recuse a dar entrevistas à Veja e a usar conteúdos dessa revista como fontes, a fim de não “conferir credibilidade intelectual a uma publicação que abandonou as práticas jornalísticas do contraditório e da investigação profunda e imparcial”.
Ora, a atitude desses professores e pesquisadores é triplamente hipócrita. Primeiramente, porque os professores que acusam a imprensa de parcialidade não se preocupam nem um pouco em ser imparciais e em dar voz ao contraditório quando lecionam, e ainda justificam essa prática de doutrinar os alunos repetindo os mantras “educar é um ato político” e “neutralidade não existe”. Em segundo lugar, e mais grave ainda, a mesma universidade que organiza “grupos de pesquisa” para fazer patrulhamento ideológico da imprensa disfarçado de pesquisas científicas se recusa a pesquisar o problema da doutrinação teórica e ideológica no interior da própria universidade (Diniz Filho, 2013). Por fim, é público e notório que há várias décadas que pesquisadores universitários marxistas, socialistas e, na maioria das vezes, petistas, ocupam espaço na grande imprensa para publicar tudo aquilo que bem entendem. 
De fato, como a imprensa independente brasileira se inclina majoritariamente para a esquerda, intelectuais como Marilena Chaui, Renato Janine Ribeiro, Leandro Konder, Márcio Pochman, Maria da Conceição Tavares, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, José Luís Fiori, Chico de Oliveira, Fernando Abrúcio, entre outros que já levaram tomates por aqui, sempre ocuparam espaço na Folha de São Paulo, na IstoÉ, na Época e em vários outros veículos a pretexto de fazerem análises científicas sobre a realidade brasileira e mundial. Mas o resultado disso foi que esses veículos se encheram de enormes besteiras, de previsões sistematicamente derrotadas pela história, de incoerências e até de mentiras descaradas que essa gente publicou para defender suas ideologias e o partido da sua preferência (na maior parte das vezes, o PT). A última e mais fragorosa demonstração de fracasso analítico, incoerência e desonestidade intelectual desses autores foram justamente os governos do PT, não? E, mesmo assim, a imprensa continua a lhes dar espaço e crédito!
É certo que esses intelectuais que eu citei não vão boicotar os veículos que sempre os protegeu dos próprios erros e desonestidades, muito embora vários deles continuem, hipocritamente, a acusar a imprensa independente de ser “vendida” e outras coisas do gênero. Os únicos que farão boicote são aqueles que nunca tiveram destaque significativo nesses veículos e que, por isso mesmo, nunca tiveram muito espaço para perder. E isso é uma pena, pois o conteúdo jornalístico só teria a ganhar se esses falsos “grandes intelectuais” se recusassem a ocupar espaço na imprensa com suas bobagens e mentiras descaradas. 
De todo modo, não deixa de ser divertido ver os mesmos professores que acusam a imprensa de ser partidária e de não dar voz ao contraditório fazendo petições para convencer seus pares a não dar entrevista e nem escrever artigos na Veja, Época e O Globo: afinal, se a imprensa nunca deu espaço para o contraditório, que cabimento tem fazer uma petição dessas? Além de não ter vergonha de cuspir no prato em que come, essa gente também não tem senso do ridículo!  
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DINIZ FILHO, L. L. Por uma crítica da geografia crítica. 1. ed. Ponta Grossa: Editora da UEPG, 2013.