Sobre o "Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira"


Este ARTIGO foi publicado originalmente neste SITE

Dos vários Guias publicados pelo jornalista Leandro Narloch, eu já li o da história do Brasil, o da história da América Latina (escrito em parceria com Duda Teixeira) e o Guia politicamente incorreto da economia brasileira (Leya, 2015).
O primeiro e o segundo têm como alvo o nacionalismo, tanto de direita, quanto de esquerda – daí a merecida lambada que o autor dá em Gilberto Freyre. Mas é claro que, como o ensino brasileiro de história é, na atualidade, amplamente dominado pelo esquerdismo, o autor lança muito mais contestações contra os mitos e falsos heróis fabricados pela historiografia de viés marxista. Por isso mesmo, os Guias que tratam de história são leituras obrigatórias para todos os não historiadores interessados em entender os conflitos políticos do presente, pois não há como ter um entendimento equilibrado e adequado desses conflitos sem destruir o véu de mentiras ensinadas na escola. 
Já quanto ao Guia politicamente incorreto da economia brasileira, creio que esse livro é o mais útil e importante dos três, mas, ao contrário do que acontece com os outros, há opções de leitura até melhores sobre esse tema.
De fato, ler a história como um processo que se desenrola sem que haja mocinhos e vilões é crucial para não cairmos nas armadilhas da simplificação ideológica e das falsas respostas para falsos conflitos, mas somente o diagnóstico dos problemas econômicos e sociais do presente pode indicar alternativas factíveis para resolvê-los. Nesse sentido, o último Guia é o mais importante dos três por abordar questões como: 
  • o papel do bônus demográfico na queda da pobreza, da desigualdade e do desemprego; 
  • o fato de que o Estado brasileiro é o principal responsável pela alta concentração de renda; 
  • o problema do salário mínimo, que, no Brasil, é alto demais;
  • o mito do “trabalho escravo”;
  • a mentira de que as mulheres ganham menos para fazer o mesmo trabalho que os homens; 
  • o fato de que os sindicatos brasileiros não representam os trabalhadores e são paraísos para a corrupção; 
  • os malefícios do protecionismo industrial; e assim por diante.

Discordo de uma ou outra afirmação do autor, mas suas análises são bem feitas e as relações que ele estabelece entre as teorias econômicas e os exemplos concretos são corretas. Ainda assim, há obras de divulgação escritas por economistas que têm a vantagem de serem mais “orgânicas”, no sentido de que, ao invés de tratar de temas muito variados para demonstrar o fracasso retumbante das políticas inspiradas em visões negativas do lucro e do livre mercado, concentram-se em identificar todas as principais causas do baixo dinamismo econômico e tecnológico exibido pelo Brasil nas últimas décadas. Refiro-me a Raízes do atraso, de Fábio Giambiagi, e de Complacência, do mesmo Giambiagi em parceria com Alexandre Schwartsman. E cito também o livro-texto Economia brasileira: da estabilização ao crescimento, de Antonio E. T. Lanzana e Luiz M. Lopes, embora esse livro já seja de 2009.

Seja como for, a leitura do Guia politicamente incorreto da economia é um excelente antídoto contra a enormidade de asneiras que os livros didáticos e professores de história e de geografia ensinam na escola, além de oferecer, por meio de algumas comparações internacionais, ótimas sugestões de políticas para remover os obstáculos institucionais ao crescimento econômico, à elevação da produtividade e, por conseguinte, à inclusão dos mais pobres na economia de mercado.
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