Professores universitários ajudaram a destruir o Brasil, mas não me venham acusá-los com mentiras


Este ARTIGO foi publicado originalmente neste SITE

Em 23 de julho de 2014, a Empiricus Research publicou o vídeo “O  Fim do Brasil”. Para fúria dos petistas, afirmava que o Brasil tal como o conhecíamos nasceu em 1994, pois foi com o Plano Real que iniciamos uma era de estabilidade macroeconômica destruída pela gestão Dilma. E não há como negar que os professores universitários ajudaram nessa destruição.

Afinal, quantos reitores de universidade assinaram manifestos em apoio às candidaturas de Lula e Dilma nas últimas décadas, violando o princípio da neutralidade ideológica, política e partidária que se impõem a administradores de órgãos estatais? E o pior é que tais manifestos nada mais eram do que peças de propaganda eleitoral mentirosa! 
E quantos títulos doutor honoris causa foram concedidos a Lula, homem que nunca foi cientista e nem sequer leu um livro na vida, por suas supostas contribuições extraordinárias à educação? Ainda que tais contribuições tivessem existido, onde já se viu politizar um título acadêmico e concedê-lo a quem nunca fez pesquisa científica? 
E quantos professores universitários usaram salas de aula, publicações acadêmicas, além de entrevistas e textos publicados na imprensa, para atacar as reformas dos anos 1990 e o Plano Real, além de elogiar o PT por méritos que esse partido nunca teve? E vale lembrar que, assim fazendo, tais professores estavam esquecendo o que escreveram antes de o PT chegar ao poder…
Finalmente, quando Dilma, em 2011, resolveu forçar os limites da política econômica herdada de FHC até o ponto de romper com ela, em termos práticos, quantos acadêmicos não acharam isso positivo? E quando esta se viu forçada pela decolagem da inflação e da dívida pública a cortar gastos, quantos não se alinharam à oposição de Lula e da Fundação Perseu Abramo às medidas de austeridade – aliás, insuficientes? 
O resumo da ópera é que a maioria dos professores universitários, de maneira contraditória e cínica, atacou os governos de FHC, elogiou Lula por dar continuidade à política econômica herdada do antecessor, apoiou Dilma quando esta resolveu romper com a herança tucana e criticou o esforço de retomar o equilíbrio fiscal quando as consequência desastrosas dessa mudança bateram à porta – prejudicando, inclusive, o reajuste salarial dos professores federais… E eu quase esqueci de mencionar que esses professores, que antes de 2003 viviam a falar grosso contra a corrupção, agora dão de ombros diante dos maiores escândalos da história!
Fora, Apartidários
Sim, nossos professores universitários ajudaram a destruir o Brasil, mas nem por isso devemos endossar certas críticas simplistas e mentirosas contra esses professores! Nos últimos dias 13 de março e 13 de dezembro, com efeito, participei dos atos pró-impeachment que tiveram início na Praça Santos Andrade, em Curitiba, como mostra o vídeo acima. Dou meus parabéns ao Movimento Brasil Livre e ao Vem Pra Rua, mas repudio o movimento Apartidários – que, felizmente, não tem quase expressão nenhuma na campanha. 
Além de fazer discursos autoritários contra partidos e políticos em geral, um dos representantes do Apartidários pegou o microfone para ironizar professores “socialistas e petistas” que “vão para a universidade de Mercedes e BMW”. Até aí, temos uma ironia válida contra professores como Marilena Chaui e José W. Vesentini, que enriquecem malhando o capitalismo em livros didáticos. Mas houve um momento em que o sujeito disse que professor universitário que apoia o PT é “sem vergonha” e faz isso porque ganha dinheiro, sugerindo haver uma relação direta entre apoio político e BMW.
Não é bem assim. Não duvido nem um pouco que haja intelectuais que apoiam o PT só para receber benesses (o mesmo acontece com certos jornalistas), mas uma generalização dessas é completamente falsa. A maioria dos professores universitários que eu conheço é petista, mas nenhum deles tem carro de luxo. E tal afirmação é muito mais válida ainda para os professores petistas do ensino fundamental e médio, não?
O apoio dos acadêmicos a teses econômicas desastrosas é fruto de opções ideológicas e de convicções científicas genuínas e intimamente ligadas. E a forma contraditória e cínica como apoiaram o continuísmo de Lula nessa área reflete a crise das teorias de esquerda, seguidamente derrotadas pela história, combinada com o apego dogmático que tais professores têm a teorias e ideologias sobre luta de classes. Finalmente, a hipocrisia e o cinismo de seus discursos sobre ética na política reflete a concepção, tipicamente esquerdista, de que os fins justificam os meios.
Isso faz com que as ideias e a influência política desses professores sejam menos deletérias? Não, de modo algum! A questão apenas é que devemos entender e criticar a intelligentzia de esquerda por aquilo que ela realmente é, não com base em generalizações falsas e discursos simplistas. Afinal, mentir com o fim de ter mais munição para atacar o adversário é uma atitude típica de reitores e professores petistas, e nós não seremos melhores que eles se copiarmos seus métodos!
Além do mais, se existe uma coisa que não falta nesta vida são argumentos para criticar o PT e os professores que o apoiam. E ver o Pixuleco gigante bem em frente do prédio histórico da UFPR, como aparece no vídeo, é a prova de que muita gente já percebeu isso.
Postagens relacionadas