Impeachment – Oposição não merece capitalizar a indignação manifesta nas ruas


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No dia 13 de março, realizou-se a maior manifestação de rua da história do Brasil: o “Fora, Dilma”. O noticiário divulgou que vários políticos discursaram e foram aplaudidos durante as manifestações, mas que Alckmin e Aécio Neves decidiram não subir no palanque depois de serem “hostilizados” e chamados de “oportunistas” por manifestantes.
Bem, anda havendo muito exagero e até mentira no que foi noticiado sobre hostilidade (ver os vídeos aqui), mas isso não muda o fato de que pesquisas de intenção de voto recentes indicam que os partidos de oposição não parecem estar se beneficiando muito da impopularidade de Dilma, Lula e do PT, visto que a rejeição aos possíveis candidatos oposicionistas é alta.
Talvez isso se deva ao fato de que grande parte do eleitorado que já não aprovava o PT desde antes da descoberta do “petrolão” tenha passado muitos anos órfã de uma oposição que fosse capaz de vocalizar suas aspirações por um governo mais ético e menos incompetente. E, se for assim, nada mais merecido, pois a oposição nunca esteve à altura do que seria o correto diante da corrupção sistêmica, autoritarismo, intolerância, incompetência, hipocrisia, cinismo e truculência que foram as marcas das gestões petistas. 
Ou alguém já se esqueceu de que partidos como PSDB e DEM não lutaram para que Lula fosse investigado pela CPMI “dos Correios”, a qual trouxe à luz a existência do “mensalão”? Que eles não lutaram nem mesmo pela quebra dos sigilos bancário e telefônico de Paulo Okamotto, providência essa que permitiria checar se era correta a suspeita de que ele era um dos elos entre Lula e o dinheiro do “mensalão”? Que ninguém se mexeu muito para anular a eleição de Lula e de seu vice, José Alencar, mesmo depois que Duda Mendonça declarou em depoimento à CPMI que recebeu dinheiro de caixa dois, pago no exterior, quando fez a campanha deles?
Em parte, a oposição agiu assim porque o crescimento econômico ia bem, graças à conjuntura internacional favorável. Além disso, a política econômica de Lula era a mesma do segundo mandato de FHC e algumas reformas propostas pelo PT eram também copiadas dos governos tucanos. Tanto é assim que a reforma da previdência efetuada por Lula, já no seu primeiro mandato, só foi aprovada porque os deputados do PSDB e do DEM votaram a favor, posto que a “base alugada” do governo se dividiu na votação. E, mesmo assim, Lula e o PT passaram 13 anos a repetir que PSDB e DEM são partidos “neoliberais”, “conservadores” e contrários aos interesses populares!
Isso tudo mostra que a oposição agiu pautada pela chamada “ética da responsabilidade”, mas não há como negar que houve um cálculo político-eleitoral oportunista embutido aí. Afinal, embora a aprovação ao governo Lula tenha caído pela metade no auge do escândalo do “mensalão”, continuou na faixa de 35% de ótimo e bom, o que não é pouco. E, à medida em que os anos foram passando, ficou claro que o PT não iria realizar praticamente mais nenhuma reforma significativa, de modo que não havia ética da responsabilidade que justificasse tanta tolerância  com os desmandos do governo. Por fim, mesmo quando os descalabros das gestões petistas já começavam a cobrar seu preço na forma de desaceleração do crescimento econômico, Aécio Neves continuou com um discurso oposicionista morno, para alegria de cientistas políticos favoráveis ao PT, como Alberto Carlos Almeida, que o elogiava por pegar leve com um governo que ainda era bem avaliado. Esperou a casa cair para começar a se mexer.
Tem alternativa?
Num país tão contaminado pela corrupção como é o Brasil, especialmente quando esta se associou a esquemas de suborno sistemático de políticos, como no exemplo do “mensalão”, o combate à corrupção não pode ser visto como algo secundário diante da agenda de reformas. Os prejuízos econômicos causados pela corrupção são enormes, a qualidade dos serviços públicos é terrivelmente prejudicada e a própria democracia foi posta em xeque por tais esquemas. 
Os tucanos fizeram corpo mole quando eram oposição, só decidiram contribuir com a campanha “Fora, Dilma” quando o governo já estava totalmente paralisado em meio à pior crise econômica da história do Brasil, e agora Alckmin e Aécio esperam colher frutos eleitorais com a rejeição ao PT. Não merecem! 
Mas qual seria a alternativa? Vamos torcer para que políticos e partidos melhores surjam nos próximos anos, pois fora da democracia representativa não há caminho possível para combater a corrupção e melhorar a eficiência das políticas públicas.
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