Vice-presidente dos EUA chega ao Brasil para discutir Venezuela 

O vice-presidente americano, Mike Pence, chegará ao Brasil nesta terça-feira, dia 26. O encontro com o presidente Michel Temer (MDB) deve ter como principal questão a situação da Venezuela e as sanções ao regime ditatorial de Nicolás Maduro.

Nesta terça-feira, a reunião deve ocorrer por volta das 12 horas no Palácio do Planalto e na sequência um almoço no Itamaraty.

Diante do tema principal, Pence também visitará o amazonas, onde fica o centro de refugiados venezuelanos.

Pence ainda vai visitar o Equador. A temática é a mesma.

Vale lembrar que a Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou processo de suspensão da Venezuela por conta do descumprimento da Carta Democrática Interamericana. Isto já é fruto dos diálogos entre diversos países, como Brasil e EUA.

De acordo com o embaixador Fernando Simas Magalhães, a Venezuela de fato está na agenda. Ainda conforme Magalhães, ele disse que o Brasil vê “com satisfação” o interesse do vice-presidente dos EUA para verificar como o país tem lidado com a questão dos imigrantes.

Brasil e EUA querem ampliar o diálogo dentro do contexto regional. Magalhães ressalta a necessidade de discutir uma saída democrática para a Venezuela e a preocupação com as questões humanitárias.

Os EUA já estão, inclusive, contribuindo financeiramente com programas de ajuda a venezuelanos refugiados.

Argentina: fruto de um desastre do Estado gigante e populista 

Toda intervenção estatal demasiada associada à ausência de transparência para com os dados do próprio governo e à impressão desenfreada de dinheiro estoura um dia. E aí, quem mais sofre são os mais pobres. Este é o retrato da “Era K” na Argentina, o que não significa que o atual governo de Macri não possa ter seus erros.

Afinal, todo e qualquer governo deve trabalhar sob vigilância, que é – no final das contas – o verdadeiro preço da liberdade. Mas como vigiar um governo que, de forma autoritária, esconde seus próprios dados, mente e dissimula, que é o que Cristina Kichner fez nos últimos anos na Argentina?

Um dos fatores mais cruéis do governo de Cristina Kirchner era justamente a ausência ou maquiagem dos dados. Em uma declaração polêmica de um ministro, este disse que não divulgaria os dados de desemprego porque isso “estigmatizava”, por exemplo.

Em discursos, Kichner falava de uma taxa de 5,9% e todos tinham que acreditar nela. E não havia sequer levantamentos alternativos aos dados estatais.

O índice que media a pobreza parou de fazê-lo em 2013 e os não-oficiais variavam entre 5% a 40%. Nesse período estive na Argentina com a minha esposa e tínhamos que ficar verificando o mercado do dólar todos os dias e mesmo assim, as informações de jornais não batiam com a realidade. O governo ainda tinha fama de mentir sobre as reservas e os subsídios de energia, água e transporte chegaram – dados não confiáveis! – a 5% do PIB em 2014. Na prática, ninguém sabia de fato quanto eles custavam.

Na segunda metade do período chamado de “Era K”, as contas ficaram no vermelho. O déficit orçamentário chegou a 7% do PIB. O governo – sem conseguir se financiar sequer via empréstimos – recorreu à impressão de dinheiro para cobrir déficits. É impressionante o crescimento da curva no período que vai dos anos 2000 até 2015, conforme o próprio Banco Central da Argentina. Isto gerou descontrole de preços e impactou na inflação.

Em 2007, o governo usou das forças policiais para controlar o Instituto Nacional de Estatísticas. Afinal, dominar os números junto a um discurso populista. Adotou o congelamento de tarifas e gastou cerca de 170 bilhões de peso para financiar o setor energético. Estava em cena um ciclo vicioso.

É só um pouco da encrenca que caiu no colo de Macri. Há sofrimento para grande parte da população? Sim. Infelizmente. É onde o populismo deságua. Macri ainda errou – a meu ver – quando reduziu gastos em dois pontos percentuais em relação ao PIB (num volume que correspondia a 20%), além de uma agenda de gradualidade quando se esperava mudanças. No corte de subsídios, não se repôs sequer as perdas inflacionárias. Afinal de contas, Macri temeu ser o vilão por lidar com as consequências do passado dentro de uma óptica óbvia e matemática.

Para cobrir déficit, Macri também recorreu a endividamento e inflação monetária. Houve aumento de dívida interna e externa, logo no início. Não sei como está hoje. Parei de acompanhar. Além disso, também imprimiu mais dinheiro. A inflação de 2016 chegou aos 41%.

Há uma herança terrível no colo de Macri? Sim! Mas a opção pelo gradualismo não o ajudou em nada. E isto em um cenário em que fogem os investidores ao mesmo tempo em que é difícil a recuperação. A maioria dessas informações foram estudadas e apontadas pelo doutor em economia aplicada Adrián Ravier, que trabalha na Faculdade de Ciências Econômicas e Jurídicas da Universidade Nacional de La Pampa, na Argentina.

Quando li o trabalho dele, fui atrás da maioria das fontes primárias. Todas que encontrei batiam exatamente com o que ele dizia. No dia de hoje, vemos uma greve geral que também tem seus componentes ideológicos-partidários. Creio que sejam até os maiores incentivadores. Enfim, quebrar com o estamento não é fácil por conta daquilo que ele joga no colo de seus oponentes e pela forma como este esquece que a maioria dos problemas foram bombas plantadas por eles mesmos. Mas é que quando se é pedra, basta tratar o outro como vitrine e ponto final. A verdade em meio às narrativas é o que menos importa…

Jorge Castriota, ‘Skanderbeg’ (I): espada e escudo da Cristandade

Skanderbeg , heroi católico albanes na luta contra os turcos

Luis Dufaur

Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs

Príncipe da Albânia, cognominado pelo Papa Calixto III de atleta de Cristo, “durante vinte e quatro anos inteiros opôs vitoriosa resistência aos exércitos turcos, com freqüência 10 a 20 vezes mais numerosos que o seu”.(1)

Jorge era o mais novo dos filhos do Príncipe João Castriota, senhor de Ematie, na Albânia, e da Princesa sérvia Voizava, tendo nascido no ano de 1414.

Quando, em 1423, o sultão turco Amurath II invadiu a Albânia, o Príncipe João, para salvar o reino, não podendo pagar a vultosa soma que lhe era exigida como dano de guerra, precisou dar como reféns ao vencedor seus quatro filhos, Estanislau, Reposio, Constantino e Jorge.

Dos quatro, dois morreriam envenenados; um terceiro, retornando à Albânia, entraria num mosteiro; e somente o caçula, Jorge, tornar-se-ia um grande guerreiro.

Chegados à Turquia, os três mais velhos foram postos no calabouço, pois não estavam dispostos a renunciar à sua fé. Como Jorge tinha apenas nove anos e era de muito boa presença, foi circuncidado e educado no islamismo. Mas, em segredo, guardou a fé de seus pais.

Tanta era a estima que tinha por ele o sultão, devido às suas inatas qualidades, que fez com que lhe ensinassem o árabe, o turco, o eslavo e o italiano, além do exercício das armas.

Skanderbeg, um novo Alexandre Magno

Aos 18 anos foi nomeado sandiak. Posto à frente de um exército de cinco mil ginetes, passou para a Ásia, onde demonstrou um valor extraordinário.

Foi aí que recebeu dos turcos o sobrenome de Iskander-bei (príncipe ou chefe Alexandre, em alusão a Alexandre o Magno), que os albaneses mudaram para Skanderbeg.

Skanderbeg, George Castriota, museo de Kruja, cruzado e salvador da identidade nacional albanes“Dele se diz que era de aspecto majestoso, e dotado de uma força fora do comum. […]

“Conta-se que, durante um combate, logrou com um só golpe cortar em dois um guerreiro protegido com couraça”.(2)

“Todos os contemporâneos o elogiam como um dos mais belos e esforçados caracteres varonis daquele século. […]

“Sua afeição aos combates era tão grande, que o dar uma batalha de quando em quando constituía para ele uma necessidade.

“ Nele se juntavam o valor do soldado e o olhar penetrante do general; suas forças corporais apenas podiam esgotar-se com esforços, e a rapidez de seus movimentos militares trazia à memória os de César”.(3)

Entretanto, Skanderbeg não se esquecia de seu país e procurava uma ocasião para a ele retornar.

Em 1432, com a morte de seu pai, deveria herdar suas possessões. Mas o sultão, em vez de lhe dar o território que lhe competia por herança, quis tê-lo para si.

E enquanto mandava um dos seus chefes tomar conta dele, mandou Skanderbeg invadir a Sérvia.

Jorge aproveitou-se do momento imediatamente precedente à batalha para passar para o lado sérvio. Antes, porém, tinha forçado o secretário de Estado do sultão a entregar-lhe uma ordem, dirigida ao comandante de Kruja, na Albânia, para que reconhecesse o portador como seu sucessor no comando daquela praça e lha entregasse.

Líder das tropas albanesas, cruzado contra os otomanos

Nossa Senhora do Bom Conselho de Scutari, Skanderbeg foi grande devoto dela
Nossa Senhora do Bom Conselho de Scutari, Skanderbeg foi grande devoto dela

Depois da batalha, vencida pelos cristãos sérvios, Skanderbeg refugiou-se nas montanhas, com 600 cristãos fugidos das tropas turcas e mais alguns montanheses.

Tendo entrado em Kruja, onde recebeu o comando da praça, à noite abriu as portas para seus partidários, que aniquilaram a guarnição turca. Skanderbeg chamou depois todos os seus parentes e albaneses a Kruja, para tomarem parte na libertação de seu país.

A insurreição se alastrou com tal rapidez, que em pouco tempo Skanderbeg havia tomado as principais praças da região.

Convocou então uma reunião em Alessio, em território veneziano, da qual participaram albaneses e venezianos, sendo eleito indiscutível chefe, aclamado por todos.

Posto à frente de sete mil infantes e oito mil cavaleiros, Skanderbeg enfrentou e derrotou em 1444 um exército turco de 40 mil homens, comandado por Ali Pachá.

Skanderbeg procurou unir-se com a Hungria e a Transilvânia na luta contra os otomanos, e aderiu ao plano de Cruzada proposto pelo Papa Eugênio IV.

No ano de 1448, Skanderbeg derrotou mais uma vez os turcos comandados pelo paxá Mustafá, fazendo-o prisioneiro como a outros de seus oficiais, por cuja liberdade exigiu vultosa soma.

continua no próximo post: Skanderbeg (II), herói da Cristandade e flagelo dos turcos

(Fonte: José Maria dos Santos, “Catolicismo”, abril de 2004)

GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISORAÇÕES E MILAGRES MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

O Centro MAGIS inaciano da juventude.

Bruno Braga.
Notas publicadas no Facebook.
E assim foi o “Arraiá do cumpade Inácio”, promovido pelo Centro MAGIS inaciano da Juventude (Fortaleza-CE). Um centro pretensamente “católico” que carrega o nome de Santo Inácio de Loyola, e que se apresenta como “uma obra da Companhia de Jesus no Brasil dedicada à formação e ao acompanhamento da juventude”.
Uma publicação do Centro MAGIS Inaciano da Juventude – CIJ (Fortaleza-CE), que parece não ver conflito algum com os princípios e orientações da Santa Igreja Católica, pois ele mesmo se encarrega de mostrar a todos.
(*) A imagem é de janeiro de 2017.
O anúncio é do próprio Centro MAGIS Inaciano da Juventude – CIJ (Fortaleza-CE): “Missa Afro”. A foto pode dar uma ideia do que acabou sendo feito com a Santa Missa para a “Celebração do Dia da Consciência Negra”.
(*) A imagem é de 2015.
O próprio Centro MAGIS Inaciano da Juventude – CIJ (Fortaleza-CE) tornou públicas as imagens do “EAJ – II Módulo: Técnicas de Oratória e Formação de Grupos”. Entre elas aparece esta aqui, que não apresenta legenda ou descrição explicativa para que o público possa saber do que se trata.
(*) A imagem é de 2015.
O Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ) fez o registro do Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora e exibiu para o público nas redes sociais as participações de Frei Betto e Leonardo Boff – os “apóstolos” da Teologia da Libertação e do Foro de São Paulo [1]. Confira as imagens. O evento, que aconteceu em 2014, também contou com a participação de outro comunista – Marcelo Barros – e com o envolvimento da Faculdade Católica de Fortaleza (CE) [2].
O Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ) (Fortaleza-CE) apresentou para o público como foi a Santa Missa na celebração de Natal de 2015, e como a Sagrada Eucaristia, como o próprio Corpo e o Sangue de Cristo foram “ministrados” aos católicos.
(*) As imagens são de 22 de dezembro de 2015.
A Celebração da Santa Missa que o Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ) (Fortaleza-CE) divulgou nas redes sociais em um contexto descrito como “exercícios espirituais”.
(*) As imagens são de 2014.
E tem mais sobre os tais “exercícios espirituais” do Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ). As imagens foram publicadas pelo próprio Centro (Fortaleza-CE) (2014).
Na Liturgia da Palavra de hoje, 20 de junho, Jesus alerta os seus discípulos: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles” […] “quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas” (Mt. 6, 1-2). Mas, em 2014, o Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ) resolveu divulgar para o público imagens de sua “ação social”, uma iniciativa em favor do… do… MST – da facção criminosa do PT e do Foro de São Paulo [3]. Teve placa com referência ao psicopata sanguinário Che Guevara, tendo como pano de fundo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima – que em Portugal tentou alertar o mundo sobre os males do Comunismo; uma pintura dedicada a Olga Benário, agente da KGB; bandeiras das CEB’s – ninhos da Teologia da Libertação -, do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), do Levante Popular da Juventude, da PJ (Pastoral da Juventude), CPT, Ligas Camponesas, etc.; e um cesto com uma “bíblia” que expressa a “catequese” ali dominante e definitivamente contrária aos princípios e orientações da Santa Igreja Católica: “O Manifesto Comunista”, escrito pelo satanista Karl Marx [4].
A “ação social” com os sem terra aconteceu na cidade de “Russas”, município do Ceará. Confira as imagens.
O Centro MAGIS Inaciano da Juventude (CIJ) compartilha com o público o pensamento de James Martin, o “padre” que insiste em pregar a ideologia de gênero LGBT-gayzista contra a Santa Igreja Católica. No texto citado, ele inclusive menciona o “Catecismo” com aquela batida carga de vitimização, mas não cita este trecho: “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. APOIANDO-SE NA SAGRADA ESCRITURA, QUE OS APRESENTA COMO DEPRAVAÇÕES GRAVES, A TRADIÇÃO SEMPRE DECLAROU QUE ‘OS ATOS DE HOMOSSEXUALIDADE SÃO INTRINSECAMENTE DESORDENADOS’. SÃO CONTRÁRIOS À LEI NATURAL. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. EM CASO ALGUM PODEM SER APROVADOS” (CIC. 2357).
O “padre” James Martin, que já promoveu uma organização para a transexualidade infantil [5] – o que a Associação Americana de Pediatras classificou como um “abuso infantil”, por fazer com que crianças acreditem que se trata de um comportamento “normal” [6], e que o Doutor Paul R. McHugh, ex-chefe de Psiquiatria do Hospital John Hopkins (EUA), definiu como um transtorno mental [7]. James Martin, que reivindicou para os casais homossexuais a permissão para o beijo gay no sinal da paz dentro da Santa Missa, e que recentemente esteve envolvido com o desfile blasfêmico e satânico do “Met Gala”, em Nova Iorque [8].
REFERÊNCIAS.
. Entrevista do falecido Arcebispo americano Fulton Sheen com Richard Wurmbrand, autor do livro “Marx & Satan”. No minuto [10:35], Wurmbrand observa que Karl Marx pertencia a uma “igreja” satanista de Londres, mostra como este “culto” macabro está na base dos ideais e ambições do “pai” do Comunismo e, consequentemente, na base dos regimes erigidos sobre esses mesmos ideais e ambições [https://www.facebook.com/blogbbraga/posts/764406793707935].
ARTIGO RECOMENDADO.

Paulo Freire: o intelectual de Julien Benda

Como quis perturbar o preguiçoso jogo pedagógico brasileiro, discuti no meu livro Desconstruindo Paulo Freire que, por sua simbiose marxista, a teoria de Freire é impraticável sem a premissa de corrigir a lei de Deus ou da natureza (como queira o leitor). Fundamentado na definição de Julien Benda, posso dizer que ele foi mais um intelectual “tipicamente do século 20”: um homem apaixonado por si, que acreditou que o seu fragmento da realidade era capaz de realinhar os princípios mais complexos da existência humana. A sua pedagogia foi mais uma tentação de resolver o inescapável problema da concupiscência do homem e o seu método manteve a deficiência da dialética marxista, isto é, a de ser uma contradição encarnada, pois, se as tendências humanas são tão más (coisa essa com que concordo em partes), como se explica que as propostas intelectuais de Paulo Freire e as de seus discípulos sejam boas?

Li sem qualquer intencionalidade prévia cada uma das mais de 20 obras que embasam as minhas conclusões sobre a sua realização intelectual. Deste modo, convém dizer que ele foi um homem que não suportava certos tipos de sistemas e pessoas, mas, apesar disso, costumeiramente é apresentado como um arauto do amor, vetor de “uma imensa capacidade de amar”. Esse discurso visguento é um pedágio – obrigatório e velado – para qualquer um que pretenda analisar, dentro dos espaços mais tradicionais de ensino, os textos de nosso (ainda) patrono oficial da educação brasileira. Para muitos e muitas, o pernambucano é o homem que indispôs o pecado original, escritor de uma obra de valor profético. Na qualidade de alguém que sente náusea, pouco a pouco, trilhei outros caminhos, não tendo sido mais um acadêmico que se satisfez com excertos (intencionalmente pinçados) de seus textos. Minha heresia pedagógica é a de ter lido as suas obras desde o meu tempo de calouro do curso de História e, por honestidade intelectual, ser obrigado a apontar os seus erros morais e pedagógicos. Abro uma concessão, pois, graças ao ambiente de idolatria que o nome de Paulo Freire suscita, fortaleci as minhas convicções temporais na máxima de Albert Camus: “Em filosofia como em política, eu sou, portanto, a favor de qualquer teoria que recuse a inocência ao homem, e a favor de toda prática que o trate como culpado”. No meu mundo historiográfico, este ceticismo é um significativo instrumento metodológico, equivalendo-se a uma ferramenta de razão vital – conforme os notórios Leopold Von Ranke e José Ortega y Gasset ensinaram.

Paulo Freire é um homem interpretado como profeta. Nos principais alfarrábios de seus intérpretes, esse discurso messiânico é ostentado, como se observa nas palavras de sua principal biógrafa, Ana Maria Araújo Freire: “Paulo, também nisso, foi adivinho, profético”. Essa tentativa de salvar sua aparência externa é uma desafinada cantiga para quem tem familiaridade com os textos de Freire. Estes raros indivíduos sabem que o nosso pedagogo era um apóstolo de seus massacres favoritos, e não me habituei a assistir a justificativas tão pueris às mortes de terceiros. Como síntese do que estou comentando, deixo estes dois antônimos frasais: “Esses são exemplos de como Paulo amou. Amou as pessoas independentes de sua raça, de seu gênero, de sua religião, de sua idade ou de sua opção ideológica. Amou a natureza”, escreveu Ana Maria Araújo Freire em Paulo Freire – Uma História de Vida. Mas o próprio Freire, em Pedagogia do oprimido, escreveu que “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida”.

Assim, recomendo aos adeptos de Paulo Freire que deixem essa concepção pedagógica gregária. Neste nosso caso, não compensa o conforto de pensar como quase todos pensam. Não se esqueçam de que tanto vocês quanto seus alunos são mais do que só um composto biológico. Como escrevi no capítulo “Paulo Freire: o patrono do pau oco”: “Se, depois de tudo o que foi escrito, vocês optarem por uma ação de ruptura com o mundo escolar, fundamentados no julgamento de que mandar um filho à escola é sinal de estupidez, saibam, antecipadamente, que vocês têm a minha mais sincera solidariedade, e recebam os meus parabéns, pois entenderam corretamente a proposta de minhas sílabas”.

Paulo Freire viu os resultados das tentativas de aplicação das políticas socialistas. Acreditou severamente que era um emissário portador de conhecimentos escatológicos. Salvador apenas de certas classes e castas políticas. Até o seu último sopro, foi um fiel emissário da tortura. Deslumbrado na certeza de que detinha um conhecimento singular, paulatinamente, tornou-se um homem incapaz de enxergar a crueldade praticada ao longo de décadas por seus regimes de predileção. Entre uma utópica visão de futuro e o presente com cheiro de putrefação de chineses, escolheu o futuro. Por isso, eu o analiso menos como pedagogo e mais como um engenheiro da alma. Seu pensamento não foi plenamente histórico, pedagógico e filosófico. Trata-se apenas de uma instrumentalização revolucionária da natureza humana, resumida na frase de Émile-Auguste Chartier: “Não se muda as naturezas individuais, sua lei interna. Não se muda uma natureza, no sentido de que um terá a sua maneira de ser caridoso, afetuoso, corajoso, o outro, uma outra maneira de sê-lo”.

Artigo publicado na Gazeta do Povo: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/paulo-freire-o-intelectual-de-julien-benda-1wqjoi15kqs1grm7l0smujrh5

Maia faz reunião extraordinária com Temer

Na última quinta-feira (21) o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM), reuniu em sua casa o presidente Michel Temer (MDB), o senador Aécio Neves (PSDB) e o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. A reunião, misteriosamente, não constava na agenda oficial nem de Temer nem de Maia.

Segundo o Estadão, a possibilidade de substituir Geraldo Alckmin por João Doria na chapa presidencial do PSDB nas eleições 2018, unindo o MDB e o DEM em torno desse novo candidato, foi o principal assunto do jantar oferecido por Maia.

O presidente da Câmara já disse que abrirá mão da sua candidatura, em julho, para avalizar um nome, que segundo ele, seja capaz de vencer os “extremos de direita e de esquerda”. O desespero do grupo tem uma razão: o receio de que o deputado Jair Bolsonaro (PSL), que aparece na liderança nas pesquisa de intenções de voto, vá para o segundo turno e enfrente Ciro Gomes (PDT) ou com algum indicado do ex- presidente, condenado, Luis Inácio Lula da Silva.

Os presentes na reunião não deram declarações oficiais sobre o evento.

‘Patriarcado de Moscou’ pede ao Papa Francisco impedir o progresso dos greco-católicos

Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Luis Dufaur

Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs

Palavras republicadas pelo conceituado vaticanista de Roma Sandro Magister deixaram católicos consternados porque vindas da Santa Sé! Sem dúvida, um episódio a mais do misterioso processo de autodemolição da Igreja apontado pelo Papa Paulo VI.

Magister as recopiou em seu site Settimo Cielo com a manchete “Na Ucrânia, entre ortodoxos e católicos, Francisco tomou partido por Moscou”.

As palavras foram pronunciadas pelo Papa Francisco saudando a delegação do Patriarcado de Moscou acolhida em audiência no dia 30 de maio (2018).

Elas deviam permanecer no sigilo. Porém de tal maneira encheram de regozijo os representantes da igreja cismática russa administrada por agentes da ex-KGB, que eles as reproduziram em seu site oficial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ não é uma instituição eclesiástica canonicamente constituída. Esse rótulo apareceu sob o Tsar Teodoro I, filho de Ivã IV o Terrível, em 1589.

Naquele ano, o metropolita de Moscou passou a se autodenominar “Patriarca da cidade do Tsar, Moscou, a nova Roma, e de toda a Rússia”. Dessa maneira visou agradar os déspotas temporais que instituíram Moscou como capital com esses títulos.

Essa ficção foi suprimida pelo Tsar Pedro I o Grande em 1721 que ansiava europeizar a Rússia. Por isso, o factício ‘Patriarcado de Moscou’ ficou morto e enterrado durante mais de dois séculos.

A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'. Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
A submissão ao ditador do momento explica o ‘Patriarcado de Moscou’.
Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.

O ‘Patriarcado’ ressurgiu na pessoa do patriarca Tikon acompanhando a revolução bolchevista de 1917, com a qual partilhava a repulsa da monarquia. Ele foi reconhecido pelo Soviete dos Comissários do Povo em 5 de fevereiro de 1918, incipiente governo leninista.

Porém sua existência nadou na confusão. Nas chacinas da guerra civil que sucedeu à revolução de Lenine o número de sacerdotes diocesanos cismáticos caiu de 50.960 para 5.665. Por volta de 90.000 monges foram massacrados pelos comunistas ficando apenas algumas centenas. 

Das 40.500 igrejas e 25.000 capelas que possuía o clero cismático sobraram apenas 4.255 devastadas pelo ódio da ditadura dos sovietes contra tudo que falava de religião.

O ‘Patriarcado’ protestou contra a imensidade dos crimes e destruições antirreligiosas. Como punição, em 5 de maio de 1922 Tikon foi encarcerado.

Mas foi liberado logo, em 1923, após prometer que “a partir de agora não sou um inimigo do poder soviético”. Tikon morreu em 1925, quiçá envenenado, e do ‘Patriarcado’ ficou uma sombra.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin precisava motivar o povo a combater numa guerra muito mortífera e impopular. Então, o ditador soviético reinstituiu o espúrio ‘Patriarcado’ em 1943 em troca de sua colaboração com o poder comunista e apoio a seu engajamento na II Guerra Mundial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ serviu a propaganda do regime fazendo-o aparecer tolerante com a religião diante das nações estrangeiras, sobre tudo os EUA.

Stalin precisou também do ‘Patriarcado’ para submeter às comunidades cristãs e outros ‘patriarcados’ cismáticos nos países e territórios anexados ou ocupados pela União Soviética no conflito mundial.

Desde então, o ‘Patriarcado’ subsistiu como instrumento de consolidação do socialismo soviético.

Ele foi o agente da URSS para a perseguição do rito greco-católico ucraniano, confiscando todos seus bens com o falso pretexto de que todo o clero católico tinha aderido ao ‘Patriarcado’. Cfr. Wikipedia, verbete Igreja Ortodoxa Russa
 

Tendo o ‘Patriarcado de Moscou’ publicado o comprometedor conteúdo da audiência pontifícia acima referida, a sala de imprensa da Santa Sé no dia 2 de junho tirou do segredo a transcrição textual do discurso.

O ocultamento tampouco podia durar porque a pagina web Rome Reports já tinha espalhado vídeo com as passagens centrais das palavras do Papa (vide vídeo embaixo em inglês e espanhol).

A euforia russa foi compreensível, à luz segundo Magister, “do modo que Francisco abraçou as teses do patriarcado de Moscou e, pelo contrário, condenou com palavras muito ásperas as posições da Igreja greco-católica ucraniana”. Rito que, aliás, vive sob as ameaças constantes dos chefes do Patriarcado-FSB (ex-KGB) moscovita.

Troca de presentes entre o Papa Francisco e o representante do Patriarcado putinista
Troca de presentes entre o Papa Francisco e o representante do Patriarcado putinista

A delegação pretensamente religiosa da nova-URSS estava liderada por seu “ministro de Assuntos Exteriores”, o metropolita Hilarion de Volokolamsk, preferido do momento pelo Patriarca Kirill, por sua vez preferido do momento de Vladimir Putin.

Disse Francisco I: “diante dos Sres. quero confirmar — de modo especial diante de ti, querido irmão, e diante de todos vocês — que a Igreja Católica jamais permitirá que desde suas fileiras nasça uma atitude de divisão. Jamais permitiremos fazer isso, não quero”.

O temor de os católicos conquistarem o coração dos russos frustrados com a corrupta e insincera cúpula do Patriarcado moscovita, levou os cismáticos a forjarem a mentira de que a Igreja Católica trabalha para dividi-los e lhes arrancar os fiéis.

O Pontífice prosseguiu: “Em Moscou — na Rússia — só há um patriarcado: o de vocês. Nós não teremos outro”.

A posição soa como uma punhalada para os católicos ucranianos de rito grego que consideram com legítimas razões que seu pastor, Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor de Kiev, é a cabeça desse rito em toda a Rússia.

“Quando algum fiel católico, continuou Francisco I, seja leigo, sacerdote ou bispo, assume a bandeira dos uniatas [termo depreciativo para designar os fiéis ucranianos que retornaram à Igreja Católica], que já não tem vigência, porque se acabou, para mim é uma dor”.

“Deve-se respeitar as Igrejas que estão unidas a Roma, mas o uniatismo como caminho de unidade hoje não vai mais”.

Sublinhando sua mudança de posição em relação aos Papas anteriores acrescentou: “a Igreja Católica, as Igrejas católicas não devem se imiscuir nas questões internas da Igreja Ortodoxa Russa, nem nas questões políticas. Essa é minha atitude e a atitude da Santa Sé hoje. Aqueles que se imiscuem não obedecem à Santa Sé”.

Urbano VIII em 1627.
Abriu com entusiasmo os braços ao ‘uniatismo’:
“Por meio de vós, meus ucranianos,
eu espero converter o Oriente”

Pietro da Cortona (1596 – 1669) Museo Capitolino

Já em 1643, o Papa Urbano VIII tinha deixado clara a posição da Igreja em favor do “uniatismo” no sermão da beatificação de São Josafá, grande apóstolo da reunificação:

“Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”, disse. (Cfr. Miroslav Zabunka e Leonid Rudnytzky, The Ukrainian Catholic Church, 1945-1975, St Sophia Association, Philadelphia, 1976, p.9.)

Para Magister, o discurso de Francisco pode parecer cifrado, mas se entende perfeitamente olhando os fatos.

Dizendo que não pretende criar “patriarcado” católico algum por fora do ‘Patriarcado de Moscou’, ele não pensa na Rússia, mas na Ucrânia, onde a Igreja greco-católica tem 4 milhões de fiéis e aspira há muito tempo a ser erigida em legítimo Patriarcado.

Esse Patriarcado foi e continua sendo o desejo de seus mais devotados filhos da Igreja e heroicos líderes resistentes ao comunismo.

Na Ucrânia sob a ditadura da União Soviética todas as denominações cristãs foram escravizadas pela força comunista ao ‘Patriarcado de Moscou’ que oficiou como braço da perseguição.

Após a queda da União Soviética os católicos saíram das catacumbas muito diminuídos em número – por volta de 300.000 – mas logo se recompuseram, hoje totalizam mais de quatro milhões e progridem velozmente. Uma legião de mártires do comunismo abençoa desde o Céu.

Em sentido contrário, os cismáticos se desintegraram. O chefe máximo do ‘Patriarcado de Moscou’ na Ucrânia, metropolita Filarete, se autoproclamou ‘Patriarca de Kiev’ com uma conotação nacionalista muito anti-russa.

Os agentes da FSB representantes do ‘Patriarcado de Moscou’ excomungaram e amaldiçoaram a nova concorrência que logo ficou maioritária.

Também se definiu por fora do ‘Patriarcado’ moscovita a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala, liderada pelo metropolita Metódio.

As divisões, excomunhões, maldições e novas alianças entre líderes cismáticos se multiplicam todos os anos dando lugar a contínuos rearranjos e novos cismas dentro dos velhos.

Nessa anarquia, o governo de Kiev quer unificar pelo menos as maiores denominações cismáticas sob a égide de Bartolomeu, cismático patriarca ecumênico de Constantinopla reduzido à mínima expressão.

Nossa Senhora de Fátima no fim triunfará e converterá todo o mundo eslavo, malgrado as insídias infernais
Nossa Senhora de Fátima no fim triunfará
e converterá todo o mundo eslavo, malgrado as insídias infernais

Mas, as tentativas, apoiadas também pela Ostpolitik vaticana, se revelam como que impossíveis. E o ‘Patriarcado de Moscou’ perderia sua influencia política na Ucrânia, aliás em contínua diminuição.

Segundo Magister, o maior inimigo dessa conciliação entre os turbulentos cismáticos é o próprio Vladimir Putin, que em relação à Ucrânia só pensa em guerra e quer ver todos os cristãos sob sua bota. E ele quer mandar na galáxia cismática como já fez Stalin!

A maior cólera dos dirigentes do patriarcado moscovita putinista provém do medo, aliás fundado nos fatos, de o povo se converter à Igreja de rito greco-católico, única ordenada e fecunda em graças e obras de caridade.

Esse grande retorno ao catolicismo que implicaria em abrir as portas da salvação para muitos milhões de almas, é o “uniatismo” que o papa Francisco condenou sem meios termos ante a delegação de Moscou.

Em síntese, para os ortodoxos-FSB (ex-KGB), o “uniatismo” é quanto há de mais intolerável: significa que blocos cismáticos voltem a obedecer ao Vigário de Cristo, sucessor de São Pedro, o Papa de Roma, e fujam do controle do sistema putinista.

E foi contra o arcebispo-mor dos greco-católicos, Dom Sviatoslav Shevchuk, de 48 anos, que o Pontífice dirigiu precisamente, sem mencionar o nome, as palavras mais duras do discurso de 30 de maio, lhe ordenando “não se imiscuir nas questões internas” do cisma russo sub-repticiamente comunista, observou Magister.

O Papa se distanciou dele da mesma maneira que abandonou a Ucrânia por ocasião da agressão russa à Crimeia e ao leste do país.

Com os cismáticos quer ser amigo de todos – escreve Magister – mas suas preferências vão pelo patriarca russo, funcionário de Vladimir Putin.

Túmulo de São Josafá na basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano.
Túmulo de São Josafá na basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano.

Mas nada prevalecerá sobre a proteção maternal de Nossa Senhora que se evidencia ativa e fecunda sobre o catolicismo ucraniano.

Especialmente, de nada servirão as manobras diplomáticas, ainda que promovidas por altos órgãos eclesiásticos, contra a promessa da conversão do mundo eslavo feita por Nossa Senhora em Fátima.

Não está longe o dia em que se tornará radiosa realidade a antevisão do Papa Urbano VIII na beatificação do grande São Josafá: “Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”.

Vídeo: Papa Francisco abraça cismáticos de Moscou e dá as costas aos católicos ucranianos

(Rome Reports, espanhol)

(Rome Reports, inglês)

Relatório: 67% dos muçulmanos entrevistados acreditam que existe apenas uma interpretação verdadeira dos ensinamentos do Islão.

“UMA NOVA MÉTRICA GLOBAL DE CRENÇAS E PRÁTICAS MUÇULMANAS

William DiPiuccio, Frontpage Magazine

Existe apenas um islamismo. Jihadistas, fundamentalistas, moderados todos acreditam no mesmo Alcorão, mesmo Sunna. Interpretações podem diferir, mas todas funcionam com os mesmos textos.

Pesquisas conduzidas pela Pew Research revelaram muito sobre as crenças e práticas muçulmanas em todo o mundo. Mas eles ficam aquém de fornecer uma visão geral do mundo muçulmano porque eles estão divididos por país ou região.

O Projeto Demográfico Global Muçulmano foi criado para responder a essa necessidade compilando as informações da pesquisa Pew para calcular porcentagens globais e estatísticas da população global sobre crenças e práticas islâmicas relacionadas à segurança, ao terrorismo e à ameaça potencial à cultura ocidental. [1] 

Juntos, cerca de 1,1 bilhão de muçulmanos estão representados nos 39 países onde os levantamentos do Pew foram concluídos entre 2008 e 2012. [2]  Isso engloba dois terços dos 1,6 bilhão de muçulmanos do mundo (com base em uma estimativa de 2010), embora nem todos os países tenham sido entrevistados em todas as perguntas da pesquisa. [3]  Como as pesquisas abrangem apenas países com populações muçulmanas substanciais, os Estados Unidos e a Europa Ocidental não foram incluídos.

Algumas das principais conclusões do projeto são apresentadas aqui. Para o relatório completo e análise, consulte “Crenças e Práticas Muçulmanas: Uma Avaliação Demográfica Global“.

A maioria dos muçulmanos acredita que existe apenas um islamismo

67% (736,3 milhões) de muçulmanos pesquisados ​​acreditam que há apenas uma interpretação verdadeira dos ensinamentos do Islã. Desentendimentos sobre a interpretação do Islã às vezes resultaram em violência mortal, principalmente entre sunitas e xiitas. No entanto, a aceitação dos xiitas pelos muçulmanos sunitas varia consideravelmente entre os países. Embora a maioria dos muçulmanos esteja certa sobre a verdadeira interpretação do Islã, eles estão divididos sobre até que ponto estender as fronteiras do Islão.

Muçulmanos devotos – aqueles que dizem que suas vidas refletem o hadith e a sunna em um grau considerável – compreendem 41% (369,7 milhões) da população da pesquisa. [4]  Estatisticamente, eles são mais propensos a dizer que (1) a sharia é a palavra revelada de Allah, (2) que o Islão e a sharia têm apenas uma interpretação, (3) que o proselitismo é um dever religioso e (4) a sharia deveria ser a lei oficial de seu país. [5] 

A maioria dos muçulmanos prefere viver sob a sharia

Embora os muçulmanos estejam divididos sobre a crença de que existe apenas uma interpretação da sharia, 64% (581 milhões) acreditam que é a palavra revelada de Allah, em vez de uma forma de lei desenvolvida pelos homens e baseada na palavra de Allah. 69% dos muçulmanos (741,8 milhões) nos países pesquisados ​​são a favor de tornar a sharia a lei oficial de seu país. Este foi o maior número de perguntas de pesquisa do projeto.

Cerca de um terço (274,0 milhões) acreditam que a sharia deve ser aplicada aos não-muçulmanos de alguma forma, e cerca de um terço a metade dos muçulmanos (352,2 milhões – 463,3 milhões) apóiam punições extremas como chicotadas, amputações, apedrejamentos adultério, e a pena de morte por apostasia.

Essas punições pertencem a uma classe legal de penalidades conhecida como Hudud. Eles são prescritos pelo Alcorão, a suna (o exemplo e os ensinamentos de Maomé) e a sharia tradicional (veja a tabela abaixo). Ofensas hudud são consideradas crimes contra Alá.

Ofensa
Punição de Hudud  
Referência
Adultério
Apedrejamento
Bukhari 6814, 6827, 6828; Ibn Ishaq 267, 652; Reliance o12.2
Fornicação (ou sodomia)
100 chicotadas
Alcorão 24: 2; Bukhari 6827, 6828, 6833; Reliance o12.2
Falsa acusação de adultério
80 chicotadas
Alcorão 24: 4; Confiança o13.3
Beber álcool
Até 80 chicotadas
Muçulmano 4452; Bukhari 6780; Reliance o16.3
Roubo ou Assalto furtivo
Amputação da mão e / ou pé
Alcorão 5:33, 38; Bukhari 6787, 6789; Ibn Ishaq 678; Confiança o14.1, o15.0
Assalto furtuvo com homicídio
Crucificação ou Morte por Espada
Alcorão 5:33 (ver Bukhari 6802-6805); Ibn Ishaq 678; Confiança o15.2                       
Apostasia
Morte
Bukhari 3017, 6922; Ibn Ishaq 550; Reliance o8.1
CHAVE:
Bukhari – uma coleção sunni, canônica e hadith (numeração da versão DarussalemIbn)
Ishaq – Vida de Maomé, tradução de A. Guillaume (Oxford U. Press, 1955)
Confiança – Confiança do Viajante: Um Manual Clássico da Lei Sagrada Islâmica, traduzido. por Nuh Ha Mim Keller (publicações de Amana, 1991)

Uma grande minoria de muçulmanos apoiam a obrigação do véu e os crimes de honra

Cerca de um terço dos muçulmanos entrevistados apóiam o véu forçado de mulheres (349,4 milhões) e dizem que os crimes de honra são justificados (361,8 milhões), pelo menos em algumas circunstâncias, por mulheres que cometem sexo pré ou extraconjugal. Os muçulmanos são menos propensos a justificar assassinatos de honra para homens que cometem as mesmas ofensas.

A morte por honra não é ensinada no Alcorão e é condenada por muitos clérigos muçulmanos. No entanto, uma provisão da tradicional lei sharia chamada Qisas, que é encontrada em alguns países, fornece uma brecha legal para assassinatos por honra ao permitir que parentes consigam perdoar o perpetrador. [6]

Muitos Muçulmanos Rejeitam Direitos e Liberdades Básicas Universais

Quando considerados em conjunto, cerca de um terço a metade dos muçulmanos (274,0 milhões – 463,3 milhões) nos países pesquisados defendem crenças e práticas (além do apoio à sharia) que são contrárias a muitos valores ocidentais e direitos humanos internacionalmente reconhecidos, como mostrado nesta tabela.

Pergunta de pesquisa
Número de quem afirma
Conflito com ocidentais
Princípios e Valores
Favorecer a sharia em seu país
69%
741,8 milhões
Separação de religião e estado
Liberdade religiosa
Aplicar a sharia a não-muçulmanos no seu país
31%
274,0 milhões
Separação de religião e estado
Liberdade religiosa
Liberdade individual
Liberdade de expressão
Igualdade de todas as pessoas sob a lei
Açoites e amputações para crimes como assalto e roubo
44%
456,7 milhões
Punição cruel e incomum
Apedrejando por adultério
45%
463,3 milhões
Punição cruel e incomum
Pena de morte por apostasia
35%
352,2 milhões
Liberdade religiosa
Liberdade de expressão
Punição cruel e incomum
Véu forçado de mulheres
32%
349,4 milhões
Direitos individuais
Igualdade de gênero
Justificam assassinatos de honra para mulheres que cometem sexo pré ou extra-marital
40%
361,8 milhões
Liberdade religiosa
Direitos individuais Igualdade de gênero
Conspiração para assassinar

Mais de 100 milhões de muçulmanos podem justificar o uso da violência em defesa do Islão

Quase 17% (que inclui 114,7 milhões de adultos) da população da pesquisa disseram que a violência contra civis é justificada para “defender o Islã de seus inimigos”. Embora o percentual seja pequeno, o número da população é significativo e implica uma base substancial de apoio moral e, talvez, material para a violência e o terrorismo. Se assumirmos que 17% são representativos da população global muçulmana como um todo (ou seja, 1,75 bilhões em 2015), então o número sobe para aproximadamente 191,5 milhões de adultos. Concordando que apenas uma pequena percentagem daqueles que justificam o terrorismo realmente cometeriam um ato terrorista, esses números ainda são mais do que suficientes para sustentar uma significativa ameaça terrorista global no futuro previsível.

A defesa do Islão pode ser mais ampla do que a resistência a ataques armados. Para muitos muçulmanos, insultar o Islão ou Muhammad é considerado um ataque ao Islão. O apoio histórico a essa visão vem dos textos tradicionais do Islão. Aqueles que criticaram ou zombaram de Maomé, incluindo mulheres, idosos e possivelmente crianças, foram assassinados por ordem dele ou com a aprovação deles, tanto do hadith (Bukhari 1067, 4037, Abu Dawud 4361) quanto da biografia de Muhammad (Ibn Ishaq). , 551, 665, 675). Numerosas ameaças e ataques terroristas contra alvos ocidentais foram provocados por nada mais que palavras ou imagens que alguns muçulmanos consideravam ofensivas.

Há outras conclusões importantes sobre a população da pesquisa que têm implicações importantes para a imigração. Estes são discutidos no relatório completo do projeto:

  • Muçulmanos devotos são mais propensos a rejeitar a legitimidade das leis e do governo ocidentais.
  • Converter não-muçulmanos e promover a sharia são imperativos religiosos para muitos muçulmanos.
  • A intolerância dos não-muçulmanos é generalizada e continua a ser ensinada.
  • Uma minoria significativa de muçulmanos está em conflito sobre a sociedade moderna.
  • Uma cosmovisão pré-científica continua a inibir a investigação histórica e científica islâmica.

O relatório analisa 16 perguntas da pesquisa em detalhes, fornecendo o histórico, teológico, político e social das crenças e práticas muçulmanas. Também inclui uma avaliação de segurança, terrorismo e áreas de potencial conflito com a cultura ocidental – informações cruciais para formuladores de políticas e analistas.

[1] O projeto foi possibilitado por um generoso esforço voluntário. Greg Oxnard, antigo Gerente de Projetos e Sistemas de Informações de Dados do Manchester City Council, Reino Unido, projetou e gerenciou a planilha do Excel e organizou o esforço voluntário para a entrada de dados. Marilyn “Micki” Neidich Lewis, editora freelance profissional, ofereceu suas habilidades para revisar e editar este artigo e o relatório final.

[2] O Projeto Demográfico Global Muçulmano não é afiliado ao Pew Research. As percentagens e os números da população foram calculados diretamente a partir dos dados do Pew Research, que foram obtidos pelo valor nominal. Veja, “Os Muçulmanos do Mundo: Unidade e Diversidade” (Pew Research Center, 2012) http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/11/2012/08/the-worlds-muslims-full -report.pdf; “Os Muçulmanos do Mundo: Religião, Política e Sociedade” (Pew Research Center, 2013) http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/11/2013/04/worlds-muslims-religion-politics- society-full-report.pdf; “Islã e Cristianismo na África Subsaariana” (Pew Research Center, 2010) http://assets.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/11/2010/04/sub-saharan-africa-full-report .pdf

[3] O número total de muçulmanos representados pelas questões selecionadas para este projeto varia de 826 milhões a 1,094 bilhões.

[4] O hadith contém as tradições canônicas dos ensinamentos de Maomé. A sunna refere-se ao exemplo de Maomé.

[5] Muitos muçulmanos devotos nos EUA e na Europa Ocidental podem não compartilhar esses pontos de vista. Mais de 90% da população da pesquisa vive em países onde os muçulmanos são 50% ou mais.

[6] Veja “As mulheres ainda são vítimas de crimes de honra, apesar da nova lei”, The Express Tribune (31 de outubro de 2017) https://tribune.com.pk/story/1545802/1-women-still-victims-honour-killings-despite -nova lei/

[7] De acordo com a Radio Free Europe, “as reações ao tiroteio [2015 Charlie Hebdo] no mundo árabe foram misturadas, com alguns veículos condenando o ataque e outros sugerindo que a revista satírica francesa havia trazido o ataque contra si mesmo”. Imprensa Muçulmana Reage ao Ataque Charlie Hebdo ”, por Joanna Paraszczuk (9 de janeiro de 2015) https://www.rferl.org/a/muslim-press-reacts-charlie-hebdo-attack/26783014.html. Uma pesquisa patrocinada pela BBC após o ataque revelou que “cerca de 27% dos muçulmanos britânicos simpatizam com os pistoleiros de Paris, enquanto mais de um em cada dez afirmam que caricaturas satíricas ‘merecem’ ser atacadas”. Veja “Trimestre de muçulmanos britânicos simpatizantes da Charlie Hebdo terroristas ”, por Matthew Holehouse, The Telegraph (25 de fevereiro de 2015) https://www.telegraph.co.uk/news/religion/11433776/Quarter-of-British-Muslims-sympathise-with-Charlie-Hebdo- terrorists.html

A patrulha politicamente correta chegou aos grupos de Whatsapp

Deu no portal de notícias JOTA:

34ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou uma mulher a pagar R$ 3 mil de danos morais a um garoto vítima de bullying e aos pais dele por não ter feito nada para impedir as ofensas num grupo de Whatsapp em que era moderadora.

Chegamos ao lamentável ponto em que as pessoas recorrem ao Estado como árbitro de meras interações por meio de aplicativos de conversa — justificando, por via reflexa, seu agigantamento incessante (e a manutenção dos impostos que sustentam sua estrutura inchada) e permitindo que agentes governamentais ganhem jurisdição sobre aspectos cada vez mais íntimos de nossas vidas privadas.

Será mesmo que não seria possível solucionar o conflito sem apelar ao Judiciário ou envolver terceiros? Por que os incomodados simplesmente não saíram do grupo? Por que não cortaram relações com os ofensores se julgavam tão danosos seus comentários? Por que os demais participantes do chat não intervieram em defesa do indivíduo alvo da zombaria (no meu tempo de escola, aliás, era assim que lidávamos com moleques abusadores, e não chamando o diretor).

Mais: será que se esse desentendimento houvesse tomado lugar em uma mesa de bar ou na sala de jantar do bulinado, alguém acharia que faz sentido pedir a opinião de um Juiz de Direito e solicitar o emprego do poder coercitivo do Estado para resolver a bronca? Pior ainda: alguém consideraria razoável que os acusados perdessem o emprego sumariamente e fossem submetidos à execração pública, em vez de restringir o alcance da confusão apenas àqueles nela envolvidos diretamente?

Percebam como todos as partes colaboram para que o resultado final de celeumas deste gênero seja sempre menos liberdade:

Por um lado, os perpetradores da agenda politicamente correta tentam nos convencer, a todo momento, de que toda e qualquer ação promovida ou mesmo palavra saída da boca de quem nos rodeia são opressivas e devem, portanto, ser reportadas às autoridades estatais e motivar a criação de novas leis restringindo e direcionando o comportamento humano, bem como devem motivar retaliações públicas de larga escala. Todo cidadão torna-se, simultaneamente, uma vítima e um “fascista” em potencial, alternando seu papel conforme as circunstâncias;

Por outro lado, o respeito ao próximo é tido pela sociedade cada vez mais como uma virtude cafona, um hábito “comportadinho” demais para ser adotado em um período onde a busca da satisfação irrestrita das vontades e desejos vem sempre em primeiro lugar (cultura essa propagada e incentivada a todo instante por supostos educadores, artistas, jornalistas e toda sorte de membros da classe falante), dando margem para que a máquina estatal ou grupelhos especializados em tomar as dores dos outros apresentem-se como mediadores de problemas que a simples adoção de boas maneiras poderia inibir. Nas palavras de Edmund Burke:

“Os homens estão aptos para o exercício de suas liberdades e garantias na medida exata em que se disponham a impor grilhões morais às suas ambições”

Tanto no episódio da russa trolada por brasileiros como neste caso do Whatsapp da discórdia, prevalece a mesma lógica: tudo começa com um “vou fazer, falar ou escrever o que me der na cabeça, e danem-se os outros ou as consequências”; segue com a reação histriônica e desproporcional dos ofendidos, reforçada por justiceiros sociais autoproclamados; e o processo ganha o toque final com a omissão dos bons — como bem explicou Olavo de Carvalho no livro O Jardim das Aflições:

A expansão do olhar fiscalizador do Estado (e da intelligentzia) para dentro da esfera privada tem como uma de suas mais graves consequências a redução da diferença entre o moral e o jurídico — diferença que, resguardando da intromissão oficial áreas vitais do comportamento humano, sempre foi uma das garantias básicas da liberdade civil. Até umas décadas atrás, o pai de família que estendesse as asinhas para cima de sua doméstica atrairia sobre si a desaprovação da esposa, dos filhos, dos vizinhos, da paróquia — um castigo moral infligido espontaneamente pela comunidade; e este castigo, sendo proporcional à falta cometida, era mais do que suficiente para fazer justiça. Quando ao castigo moral se soma porém a sanção penal e administrativa, o caso passou da esfera ética para a jurídica — e o Estado, a pretexto de proteger domésticas ofendidas, na verdade o que faz é usurpar uma das funções básicas da comunidade, que é a de fiscalizar a conduta moral de seus membros.

Roupa suja deveria ser lavada em casa. Quando nossas desavenças particulares são extrapoladas para além de nossos círculos de convivência e oferecidas ao escrutínio de tecnocratas e da massa virtual àvida pelo próximo bode expiatório, todos saímos perdendo — e só quem lucra são funcionários do governo e os profissionais do vitimismo.

Conselho útil: não aceitem mais ficar como administradores de grupos de conversação. Pode doer no bolso…