Como a arte ficou assim?

Nas últimas décadas, a arte se afastou cada vez mais do público e muito foi escrito a respeito a título de explicar sem esclarecer e sem atrair este público. Pode-se pensar que o público constituído de pessoas comuns não atraia artistas e galeristas de hoje, pois a execução artística tem um preço que será pago pelo comprador.

Naturalmente, este público de pessoas comuns — que não são artistas ou poetas nas horas de descanso — tenderá a gostar ou não gostar, visto que a produção artística do século XIX para cá tratou, em grande parte, da subjetividade de quem a executa.

Por isso, muitos de nós já perguntaram “isto é arte?”, como também tivemos que responder à fatídica e enfadonha pergunta nos vários primeiros dias, ano após ano, das aulas de artes na escola: “O que é arte?”. Não, aquilo que vem de dentro e não dá para controlar não é arte, mas emissão do conteúdo do estômago pela boca.

Embora os artistas existam desde a pré-história, o conceito de arte, tal como usamos hoje, surge em meados do século XV, o quattrocento, com os primeiros artistas da Renascença que reivindicavam para si o mesmo tratamento dado a poetas, o de um fazer mental, intelectual, não apenas manual. Deixava-se de ser apenas o artífice, o engenhoso, como descrito Odisseu por Homero, já que teve a idéia de construir o cavalo de Tróia, passando a pintura a ser vista como Horácio a ela se refere em sua Arte Poética: a pintura é como a poesia.

No entanto, embora o Ocidente tenha uma herança comum a que chamamos arte, em cada língua ela tem uma raiz diferente: ars, do latim, e techné, do grego, referem-se à execução manual, enquanto Künst, do alemão, vem de können, ligada, portanto, à cognição, mas nas línguas eslavas, umjenost, tem no prefixo um uma ligação com o intelecto. Sem referir-se ao significado da palavra em outras línguas, os artistas renascentistas perceberam que a arte vai além de simplesmente fazer, pois Leonardo da Vinci afirmou que “a pintura é uma execução intelectual” e, mais tarde, Michelangelo: “Pinta-se com o cérebro, não com as mãos”.

Por que, então, a arte do nosso tempo não acompanha este conhecimento do mundo e a intelectualidade em seu melhor sentido?

Desde o século XIX, com o fim dos mecenatos, os artistas deixam de receber encomendas e passam a vender “prêt-à-porter”. Paralelamente, muitos passam a fazer pesquisas óticas, a invenção da tinta em tubo permite que o artista não se restrinja ao ateliê, procurando a imediaticidade da luz sobre o objeto. No princípio, foi mal visto, pois não havia familiaridade do público habituado à luz anterior.

Há também outro fenômeno, que é a “planaridade da tela”, como percebido cerca de cem anos depois por Clement Greenberg. Do fim da Idade Média até meados do século XIX, a pintura “disfarçava” sua condição bidimensional, privilegiando a ilusão tridimensional. Aí, a representação confortável da natureza começa a se desintegrar. Os artistas de então passam a mostrar que o suporte, a tela, é plano, não mais uma janela para outro mundo. Até então, a pintura era a ilusão.

Cada vez mais, figura e fundo deixam de existir, passando a ocupar o mesmo plano, mas ainda era possível ver as formas da natureza, até que a perspectiva é estilhaçada no início do século XX com o Cubismo que, para ser inteligível, ainda representa objetos do mundo sensível. Não há uma obra cubista que não seja figurativa, embora com a perspectiva “quebrada”. Paralelamente, surge a pintura não figurativa, com Kandinski, que se popularizou pelo nome de “abstrata”. Ao mesmo tempo, Matisse busca recuperar o clássico na arte modernista, mas o Cubismo e a pintura não figurativa vencem e influenciam muito da arte posterior. Com o surgimento do niilista Dada, a antiarte, em 1916, cujo manifesto é de 1918, inicia-se o combate a toda a arte anterior. Dada era, segundo um de seus idealizadores, Hugo Ball, gesto. Por conta disso, houve um artista que durante uma apresentação suicidou-se em público, e outro que partiu num barco a remo da Califórnia para o México e jamais foi avistado novamente. Daí derivam diversos movimentos e movimentos de reação. A antiarte não tem uma unidade real de seus antiartistas.

Milhares de páginas já foram escritas para explicar a conexão da arte modernista e contemporânea com o mundo, ou ao menos tentar convencer o leitor de que se trata de arte. Ou arte de boa qualidade.

Muita coisa feita no século XX ficou datada, outras permanecerão eternas, e outras sequer enfeitarão as notas de rodapé.

KANDINSKY, Wassily (1866-1944). Composição VI. 1913. Óleo sobre tela, 195 x 300 cm. Hermitage, St. Petersburg

KANDINSKY, Wassily (1866-1944). Composição VI. 1913. Óleo sobre tela, 195 x 300 cm. Hermitage, St. Petersburg

KANDINSKY, Wassily (1866-1944). Composição VI. 1913. Óleo sobre tela, 195 x 300 cm. Hermitage, St. Petersburg

PICASSO, Pablo Ruiz y (1881-1973). Instrumentos musicais. 1912. Óleo, serragem e gesso sobre papelão. Hermitage, St. Petersburg.
PICASSO, Pablo Ruiz y (1881-1973). Instrumentos musicais. 1912. Óleo, serragem e gesso sobre papelão. Hermitage, St. Petersburg.

PICASSO, Pablo Ruiz y (1881-1973). Instrumentos musicais. 1912. Óleo, serragem e gesso sobre papelão. Hermitage, St. Petersburg.

MATISSE, Henri Émile Benoît (1869-1954). Le bonheur de vivre . 1905-06. Óleo sobre tela, 175 x 241 cm. Barnes Foundation, Merion, PA .
MATISSE, Henri Émile Benoît (1869-1954). Le bonheur de vivre . 1905-06. Óleo sobre tela, 175 x 241 cm. Barnes Foundation, Merion, PA.

MATISSE, Henri Émile Benoît (1869-1954). Le bonheur de vivre . 1905-06. Óleo sobre tela, 175 x 241 cm. Barnes Foundation, Merion, PA.

Marcel Duchamp (1887-1968). Fonte. Original de 1917 de Marcel Duchamp fotografada por Alfred Stieglitz (1864-1946) em seu Studio 291 após a exposição de 1917 da Society of Independent Artists.
Marcel Duchamp (1887-1968). Fonte. Original de 1917 de Marcel Duchamp fotografada por Alfred Stieglitz (1864-1946) em seu Studio 291 após a exposição de 1917 da Society of Independent Artists.

Marcel Duchamp (1887-1968). Fonte. Original de 1917 de Marcel Duchamp fotografada por Alfred Stieglitz (1864-1946) em seu Studio 291 após a exposição de 1917 da  Society of Independent Artists.

Damares diz ser a favor da educação sexual nas escolas

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Damares Alves, futura ministra dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro, se posicionou a favor da educação sexual após contar ao UOL sobre os abusos que sofreu.

A futura ministra disse:

“Sim. Sou a favor da educação sexual. Vou conversar com o Ministério da Educação sobre isso. A escola vai ter que ter um papel importante para combater abusos contra crianças. A primeira ideia é capacitar professores para identificar violências contra os alunos, mas é preciso respeitar as especificidades de cada idade. E a família deve ser ouvida e consultada. Se a família não quiser que o filho aprenda sobre o assunto, vai ser responsabilizada por isso.”

Janaina sobre governo Bolsonaro: “Se andar bem, sou aliada, se andar mal, sou inimiga”

Imagem: Reprodução

Janaína Paschoal, ao chegar para a cerimônia de diplomação de políticos paulistas eleitos em outubro, reafirmou que terá uma postura de independência em relação ao governo de Jair Bolsonaro, informa O Antagonista.

“Se andar bem, sou aliada, se andar mal, sou inimiga.”

A deputada estadual acrescentou que o raciocínio também vale para o governo de João Doria, governador eleito de São Paulo.

Futura ministra da Agricultura anuncia secretários

Imagem: Divulgação

De acordo com O Antagonista, Tereza Cristina, a futura ministra da Agricultura, anunciou seis nomes para as secretarias do ministério.

São eles:

  • Luiz Antônio Nabhan Garcia – Secretaria Especial de Assuntos Fundiários
  • José Guilherme Tollstadius Leal – Secretaria de Defesa Sanitária
  • Eduardo Sampaio Marques – Secretaria de Política Agrícola
  • Orlando Leite Ribeiro – Secretaria de Comércio e Relações Internacionais
  • Jorge Seif – Secretaria da Aquicultura e Pesca
  • Fernando Henrique Kohlmann Schwanke – Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo

Moro elogia decisão de extraditar Battisti

Imagem: Reprodução

O futuro ministro Sergio Moro elogiou a decisão de prender e extraditar o italiano Cesare Battisti, informa o BR18.

Para o futuro ministro da Justiça, errado foi a decisão de manter Battisti no Brasil enquanto deveria responder por assassinato na Itália. A decisão de manter o terrorista comunista no Brasil foi do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Minha avaliação é que o asilo que foi concedido a ele anos atrás foi um asilo com motivações político-partidárias. Em boa hora isso foi revisto. Não se pode tratar a cooperação jurídica internacional por critérios político-partidários. A decisão foi acertada”, afirmou.

Doria já articula reforma da Previdência com parlamentares e governadores eleitos

Imagem: Divulgação

O governador eleito de São Paulo, João Doria, disse ao BR18 que já está articulando com outros governadores e com a bancada de parlamentares do Estado para facilitar a aprovação da reforma da Previdência no Congresso.

Em fevereiro, Doria ajudará a organizar mais uma reunião do Fórum de Governadores, como a reforma previdenciária sendo o tema de discussão.

A reforma da Previdência é um dos principais focos do governo de Jair Bolsonaro.

“Estamos contigo, Damares!”, diz Manuela D’Ávila

Imagem: Adriano Machado/Reuters

Nesta terça-feira (18), a ex-candidata à vice-presidência da República na chapa de Fernando Haddad (PT), Manuela D’Ávila, publicou um texto em sua página no Facebook se referindo à futura ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves.

No texto publicado, Manuela solidariza-se com os abusos sofridos por Damares na infância. 

“Damares, que terrível história de abuso e violação da infância que passastes. Sentimos muito por você. […] Nós precisamos nos unir na mesma direção, lutando para que nenhuma criança, para que nenhuma mulher, passe pelo que passaste.”

Ainda no texto, Manuela ainda defendeu que a polícia esteja melhor equipada e capacitada. “Não existe prender estuprador sem polícia. Precisamos batalhar por uma polícia que esteja equipada, com capacidade, com inspetoria, ouvidoria, com legitimidade social…”

Ao final da publicação, a atual deputada estadual do RS escreveu:

“Use sua nova função para batalhar por todas nós, incluindo você, que sofreu na própria pele essa barbárie. Contamos contigo, estamos contigo!”

Damares, que terrível história de abuso e violação da infância que passastes. Sentimos muito por você. Sentimos muito…

Posted by Manuela D'Ávila on Tuesday, December 18, 2018

Como refutar a ideologia transgênero em 2 minutos

A ideia de que uma pessoa pode nascer em um corpo que não condiz com sua esfera psicológica não se sustenta. Em torno disso, foi criada uma ideologia, tão errada quanto as outras ideologias, de que o corpo humano e a psique humana podem se desligar, criando a possibilidade de haver uma situação em que uma pessoa nasce homem, mas, pelo desprendimento entre seu corpo e sua identidade, é, de fato uma mulher.

Esta ideia é falsa. Não há motivo para se acreditar que a identidade de gênero não seja, ela mesma, fruto de uma disforia da pessoa com relação à realidade, e a realidade é aquilo para que a pessoa nasceu e foi designada pela sua natureza.

Mesmo a mera noção de transgênero é curiosamente construída de forma contraditória. Ora. se uma pessoa se identifica como mulher, como saber a diferença entre identificar-se como mulher e ser, de fato, mulher, se que tudo que há à disposição de um homem sobre ser mulher são os estereótipos?

Tradução: Gabriel Silva
Revisão: Andrey Costa

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Aborto não é problema de saúde pública

Recentemente no debate público as discussões sobre o aborto se popularizaram, avolumaram-se e como sempre ocorre no Brasil, a argumentação gira em torno de impressões emocionais geradas por meias verdades associadas a uma grave enxurrada de dados imprecisos ou simplesmente falsos, basta lembrar que determinados veículos de mídia afirmam que são praticados cerca de um milhão e meio de abortos anuais no Brasil, quando na verdade o número é inferior a um décimo disto.

Alardeiam o argumento de que o bebê é propriedade física da mãe, sendo um tipo de apêndice cuja permanência estaria vinculada a utilidade que o mesmo poderia ter, e portanto, se a gestante considerar que aquele ser não seria vantajoso, teria o direito e quem sabe o dever de eliminá-lo. Para justificar o “status” descartável do feto, vinculam a própria condição de humanidade com um ente subjetivo chamado de “consciência”, porém a determinação direta da consciência é impossível e sua avaliação necessariamente se daria por dados escolhidos por um consenso científico que seria posteriormente admitido como verdade pelo parlamento.

É importante observar que esse mecanismo ancora a condição de humanidade a ideias estritamente mutáveis, as verdades científicas de hoje amanhã serão desmascaradas, processo inevitável no método científico, cuja natureza é precisamente a construção de conhecimento sobre escombros dos edifícos antigos. Essa caraterística da ciência não diminui sua importância, apenas explicita que é ferramenta inadequada para tomada de posicionamentos normativos e geração de premissas referentes a valores intrínsecos da condição humana.

Existe também o “argumento” que aquele ser ainda em formação dentro do ventre materno, aquele mesmo que foi concebido através de um ato sexual e que a experiência de toda a existência nos mostra que o desenvolvimento normal culmina impreterivelmente em um indivíduo, seria apenas um amontoado de células. Se trata de uma meia verdade, obviamente que o feto é um amontoado de células, porém todos nós também o somos e morreremos sendo. O ser humano passa no decorrer de sua existência por diversas modificações radicais de sua morfologia: feto, criança, jovem, adulto e idoso, a despeito de suas diferenças são a mesma pessoa e do ponto de visto da matéria, a única estrutura que se mantem relativamente constante durante todas estas modificações é o código genético, formado no exato momento da concepção.

Naquilo que se refere às práticas médicas é importante entender que o objetivo primordial de qualquer ação é o de conservar a vida ou a função, curar se possível, caso contrário manter a vida mesmo com prejuízos e quando todos os recursos foram tentados e falharam, resta palear e confortar. Foi neste caminho que a medicina se desenvolveu, aquela perna gangrenada que antes matava, posteriormente foi amputada e hoje é reconstituída de maneira que em muitos casos a função retorna completamente ao normal, melhor ainda, muitas condições que levavam a gangrenas foram descobertas e evitadas, eliminando o início de todo processo de doença.

Nesse raciocínio, podemos então afirmar que a obstetrícia consiste em assistir a genitora e filho de modo que ambos sejam capazes de se desenvolver plenamente, sendo limitada a prática do aborto a aquelas condições em que a permanência do concepto levaria inevitavelmente a morte da mãe. Estes procedimentos infelizes expõem uma falência da medicina, nos forçando a aprimorar os recursos e métodos para posteriormente levar todas as gestações outrora incompatíveis até um desenvolvimento completo e saudável para mães e filhos.

Por fim, o dogma norteador hipocrático conhecido por “evitar infligir o mal”, impele que toda ação de promoção de saúde ofereça benefícios superiores ao danos e é uma norma inatacável, no entanto, por diversas vezes os homens esqueceram dela e sempre o desfecho dessas ações se mostraram terríveis máculas na história da humanidade. Não há resultado cirúrgico pior que o óbito e entendendo que este é o objetivo final do procedimento abortivo é possível concluir que o aborto é o processo patológico a ser combatido, não possuindo as características necessárias para ser oferecido como solução, especialmente no universo da saúde.