A história da Jihad contra os mongóis (1050-1258)


Este ARTIGO foi publicado originalmente neste SITE

Tradução: Jay Messi / Cássia H.

Revisão: Felipe Alves

Fonte: http://www.historyofjihad.org/mongolia.html

Aqui você lerá sobre a História da Jihad Islâmica desde seu início em Meca em 620 D.C até o Onze de Setembro, e as lições que ela nos deixou para nossos dias turbulentos. Se quisermos entender o Islã, precisamos entender o temperamento de seu fundador Maomé BPCH, a forma como os muçulmanos vitoriosos trataram os povos subjugados, e acima de tudo as razões para a vitória do Islã.

O site History of Jihad é formado por um painel de colaboradores. O site é coordenado por Robin MacArthur juntamente com Mahomet Mostapha e Naim al Khoury, em Nova Jérsei.

Entre os colaboradores do site estão professores e instrutores das Universidades de Stanford e Michigan (Ann Arbor), Kansas State University, Ohio State University, e a London School of Economics. Sugerimos enfaticamente recomendar este site como leitura complementar para estudantes da história islâmica.

Convidamos estudantes e professores desse tema a espelhar este site nos servidores privados de suas universidades, linka-lo aos seu sites particulares, imprimi-lo como publicação e recomendá-lo como fonte de pesquisa a estudantes, jornalistas, cinegrafistas, militares, parlamentares, políticos, juristas e para oficiais de serviços de inteligência (nacionais e estrangeiros) e para os demais interessados na temática do Islã e da Jihad.

A história relativamente desconhecida de como os jihadistas atormentaram os mongóis e turcos, o que levou a um feroz e brutal contra-ataque dos mongóis contra o Islamismo de 1200 a 1258. Um ataque que foi mais virulento que as Cruzadas e que chegou próximo de varrer o Islã da face da Terra.

De acordo com um antigo jurista muçulmano, al-Bukhari [869 D.C.]: “Para a comunidade muçulmana a guerra santa é um dever religioso, em razão do universalismo da missão [muçulmana] e [da obrigação] de converter todos ao Islã tanto pela persuasão quanto pela força…”

Razões para o ataque mongol ao Islamismo

Muitos historiadores muçulmanos descrevem os mongóis como sendo saqueadores e ladrões. Dizem-nos eles que os mongóis eram como os godos e vândalos, que destruíam tudo que estava em seu caminho com o único objetivo de saquear civilizações ricas e desenvolvidas. Tais historiadores alegam que a comunidade de muçulmanos em Bagdá era a mais rica do século XIII. Isto não é correto, apesar de Bagdá ter sido uma cidade rica e desenvolvida, ela devia toda a sua suntuosidade aos constantes saques perpetrados na Pérsia, Ásia Central, Norte da África, Espanha, lugares estes que eram atacados pelos exércitos muçulmanos desde o inicio do Islã, em 630 d.C., até terem sido detidos por Charles Martel em 732 d.C., na França, e até sua marcha sangrenta pela Ásia Central até a China ser retaliada com igual brutalidade pelos Mongóis a partir de 1200 d.C.

Um homem quase destruiu o Islã – Gengis Khan. Gengis Khan atacou o Império Muçulmano Turco-Persa Corásmio de Samarcanda como vingança à ofensiva lançada pelos árabes e persas no Tártaro (Ásia Central). O Império Corásmio foi fundado pelos turcomenos e os turcos quipchacos, que se converteram ao Islã devido à depredação persa e árabe contra eles iniciada no século VII. Os turcos quipchacos converteram-se com os Quarlugs após a derrota chinesa contra os árabes na Batalha do Rio Tallas. Por volta do século X a nobreza dos turcos quipchacos mesclou-se com os persas e árabes muçulmanos, e estabeleceram um grande império sobre a Ásia Central. Este Império Corásmio continuou a tradição muçulmana de atacar povoados não-muçulmanos vizinhos. Suas depredações das nações turcas e mongóis não convertidas, iniciada no século VIII, gradualmente gerou um ressentimento violento entre os mongóis e turcos não muçulmanos contra o Império Corásmio.

O intento de Gengis Khan não era somente saquear, mas destruir o inimigo. Se a motivação dos mongóis fosse apenas saquear o Califado (sendo este ironicamente o depósito de todos os saques coletados pelos muçulmanos), não precisariam atravessar quatro mil milhas de sua terra natal na Mongólia até Bagdá; eles poderiam ter atacado o Japão ou a Coreia que ficavam a poucas centenas de milhas de sua terra natal e eram mais ricas e dotadas que Bagdá.

Gengis Khan foi o homem que liderou o ataque mongol ao Islamismo. A ele se seguiu seu neto Hulagu (ou Halaku) Khan. Estes dois ousados visionários libertaram toda a Pérsia e boa parte da Mesopotâmia do jugo do Islã e quase destruíram o Islã.

O real motivo de os cavaleiros mongóis saírem da Mongólia e iniciar a expulsão de muçulmanos de áreas conhecidas hoje como Cazaquistão, Uzbequistão, Tajiquistão, Turcomenistão, acabando por alcançar o Irã, Iraque, e Síria, jaz nos subterfúgios, selvageria, crueldade e outras táticas sujas empregadas pelos muçulmanos para converter turcos e mongóis ao Islã. E isto acarretou no acúmulo gradual de rancor e desejo de vingança entre os turcos e seus clãs aparentados, os mongóis.

As táticas sujas usadas pelos muçulmanos e sua lendária crueldade contra os uzbeques, tadjiques, cazaques, levaram à invasão mongol no Iraque e no Irã.

Do século VII ao XIII muitos persas zoroastristas, persas cristãos nestorianos, os turcos, chineses e os mongóis alimentaram dentro de si uma mágoa contra a brutalidade usada pelos muçulmanos na conversão das populações não muçulmanas da Ásia Central e da Pérsia.

O ataque mongol ao Islamismo foi uma expressão coletiva de resistência ao Islã por parte dos persas pré-islâmicos assentados na China e na Mongólia, e dos turcos que vinham empreendendo uma batalha contra o Islã desde o século VIII até o X. Foi o resultado de erros históricos cometidos pelos árabes muçulmanos sobre os persas zoroastrianos, e pelos árabes muçulmanos e persas Islamizados sobre os turcos, e por fim, pelos árabes muçulmanos unidos aos persas Islamizados e aos turcos Islamizados sobre os turcos, mongóis e chineses não Islamizados.

É a este acúmulo de rancor que se deve a fúria do ataque mongol contra o Islamismo em 1200, e que culminou no saque e genocídio em Bagdá em 1258 perpetrado por Hulagu Khan sob a influência de sua esposa, uma persa cristã nestoriana. Os historiadores não conseguiram compreender a investida mongol sobre a Pérsia Islâmica e o Oriente Médio como um contra-ataque turco-mongol ao Islã, assim como as Cruzadas, que foram os cristãos contra-atacando o Islã no século XI.

As origens humildes de Gengis Khan

Em 1200, um mongol chamado Temujin (Temüjin) ascendeu ao posto de Khan sobre o seu e vários outros clãs devido à sua extraordinária bravura e habilidade no campo de batalha. Ele foi vassalo de Ong Khan, o chefe de uma coalizão que se distinguia por ser mais organizada do que os demais clãs mongóis, geralmente esparsos. Temujin demonstrou sua lealdade e juntou-se a Ong Khan em uma campanha militar contra os tártaros no leste. Em 1202, Temujin derrotou os tártaros e com esta vitória, o já velho Ong Khan declarou Temujin seu filho adotivo e herdeiro.

O filho biológico de Ong Khan, Senggum (Senggüm), esperava suceder a seu pai, e tramou a morte de Temujin. Alguém falou do plano para Temujin. E aqueles que lhe eram leais derrotaram os que eram leais a Senggum, e Temujin tornou-se o Líder da então coalizão de Ong Khan. Em 1206, Temujin, o filho adotado, tomou o título de Líder Universal que traduzido para o mongol significa Gengis Khan.

A influência cristã nestoriana (persa) sobre os mongóis

Viviam entre os mongóis um número significativo de descendentes dos refugiados zoroastristas e nestorianos cristãos que vinham fugindo da perseguição muçulmana na Pérsia desde o século VII, tendo se assentado na China Ocidental e Mongólia. Entre os refugiados cristãos nestorianos, alguns se casaram com mongóis e alcançaram posições de influência dentro das hierarquias mongóis. Eles também converteram ao cristianismo muitos dos poderosos clãs mongóis.

No século XIII, os mongóis decidiram finalmente repelir os muçulmanos que vinham fazendo incursões do Cazaquistão até a Mongólia Ocidental e China por seiscentos anos. Porém, nesse interregno de seiscentos anos, a cristandade nestoriana também progrediu entre a elite mongol, ao menos certamente entre aqueles do clã Kereit, principalmente entre as mulheres da família real. É bem documentada a identidade e as atividades religiosas provenientes do cristianismo persa da esposa de Hulagu, Dotuz Khatun. Uma menção pode ser feita a outros notáveis mongóis cristãos, tal como Kitbugha e Il-Siban, respectivamente o comandante militar da Síria em 1260 e o governador (Shihna ou na’ib) de Damasco, que eram também mongóis nestorianos cristãos.

Precisamos entender que a causa última do ataque mongol ao Islamismo foram as investidas muçulmanas do Tártaro até a Pérsia de 650 até 1250.

No entanto, não era permitido aos persas zoroastristas que viviam entre os mongóis a propagação do zoroastrismo segundo os princípios de sua própria crença, e assim eles foram definhando em número durante seiscentos anos em suas novas pátrias na China e Mongólia. Foi após esse intervalo de seiscentos anos, principiando na ocupação muçulmana na Pérsia em 650 até 1250 que os mongóis decidiram finalmente revidar os muçulmanos que haviam feito grandes incursões do Kazaquistão até a Mongólia Ocidental e China.

Porém, nesse interregno de seiscentos anos, a cristandade nestoriana também progrediu entre a elite mongol ao menos, certamente aqueles do clã Kereit originalmente, mais notavelmente as mulheres na família real. A identidade e as atividades religiosas provenientes do cristianismo persa da esposa de Hulagu, Dotuz Khatun é documentada. Uma menção pode ser feita a outros notáveis mongóis cristãos, tal como Kitbugha e Il-Siban, respectivamente o comandante militar da Síria em 1260 e o governador (Shihna ou na’ib) de Damasco que eram também mongóis nestorianos cristãos.

A influência cristã e zoroastrista no ataque mongol ao Islamismo encontrou uma motivação imediata para guerrear quando uma caravana de comerciantes mongóis aproximou-se do Império Corásmio, que havia sido recentemente conquistado. O sultão desse reino declarou haver espiões na caravana. Gengis Khan enviou diplomatas, e o sultão mandou matar o chefe dos diplomatas e queimar as barbas dos outros, e esses ele enviou de volta para Gengis Khan. Essa afronta foi a gota d’água e Gengis retaliou, mandou seu exército para o oeste do Império Corásmio.

O Presidente Bush poderia muito bem aprender muito com os mongóis, que foram os únicos na História a chegar perto de extinguir o Islã. A falha dos mongóis em fazê-lo se deveu ao fato de embora eles odiassem os muçulmanos, eles não notaram que a brutalidade dos muçulmanos vinha do Islã e eventualmente eles, os mongóis, abraçaram o Islã para tornarem-se parte da psique muçulmana que eles tanto odiavam no início.

Quem quer que queira lutar contra os muçulmanos necessita compreender o Islã, e tem que lutar contra o Islã não apenas contra seus praticantes – os muçulmanos. Senão, tal como os mongóis, depois de derrotar os muçulmanos no campo de batalha, o líder acabaria no fim abraçando o Islã, tornando-se parte do problema que ele havia começado a resolver.

Nos meses mais frios os mongóis atravessavam o deserto rumo a Transoxiana sem bagagens, lentos como uma caravana dos comerciantes, até revelarem-se como guerreiros nas cidades pequenas do império do sultão. Sua estratégia era assustar os oponentes para que se rendessem sem lutar, o que beneficiaria as tropas do sultão, que prezava pela vida de seus soldados.

Os que se rendiam eram poupados da violência, e aqueles que resistiram foram assassinados como exemplos para os outros, alguns eram libertos para espalhar pânico das cidades fronteiriças até a metrópole Bukhara. O povo de Bukhara abriu os portões da cidade e se rendeu. Gengis Khan falou para eles que eles, o povo comum, não tinham culpa alguma, mas que seus mandatários cometeram grandes pecados que inspiraram Deus a enviar a ele e seu exército para puni-los. Após a queda de Bukhara, o sultão da capital, a cidade de Samarcanda, também se rendeu. O exército do sultão se entregou, e o sultão fugiu.

Gengis Khan e seu exército adentraram mais profundamente o império do sultão – foram ao Afeganistão e então para a Pérsia. Dizem que o Califa de Bagdá era hostil ao sultão e auxiliou Gengis Khan, enviando a ele um regimento de cruzados europeus que eram seus prisioneiros. Gengis, não necessitando de infantaria, libertou-os, e estes espalharam as primeiras notícias sobre as conquistas mongóis na Europa.

Os cavaleiros mongóis passaram como um furacão pelas terras Islãmicas, atingiram profundamente países islâmicos tal qual uma faca quente no queijo, esmagando o Islã completamente. Inicialmente os mongóis não torturavam, mutilavam ou desfiguravam os muçulmanos, no entanto seus inimigos muçulmanos sim. Os mongóis cativos eram arrastados pelas ruas e mortos para diversão e entretenimento dos habitantes das cidades. No início, os mongóis não partilhavam da selvageria freqüentemente demonstrada pelos mandatários muçulmanos para aterrorizá-los – nenhuma das práticas tipicamente muçulmanas de tortura e mutilação utilizadas pelos mandatários muçulmanos ocorreu em Bukhara ou Samarcanda, que foram devastadas pelos mongóis. Somente após terem sofrido as torturas muçulmanas ,como estiramento, emasculação, corte de ventre e desmembramento que os mongóis se tornaram muito mais sanguinários que seus inimigos islâmicos, o que culminou no genocídio indiscriminado de muçulmanos em Bagdá.

Gengis Khan tinha entre 100 mil e 125 mil cavaleiros, mais seus aliados turcos e uighurs, engenheiros e médicos chineses – somando-se entre 150mil e 200mil homens. Para demonstrar sua lealdade, alguns uighurs ofereciam comida aos mongóis, e os soldados de Gengis Khan lhes garantiam proteção. Algumas cidades sitiadas se rendiam sem lutar. Nas cidades em que os mongóis lutaram para conquistar, Gengis matava seus guerreiros e então dividia os sobreviventes por profissão. Recrutava os poucos que eram alfabetizados e qualquer um que falasse várias línguas. Os mais ricos e abastados da cidade ele logo os matava sem demora, lembrando-se de como os mandatários que ele não havia matado após a conquista de Tangut e Ruzhen o traíram tão logo seu exército se afastou.

A invasão mongol marca a primeira derrota do califado islâmico para um povo não muçulmano.

Os mongóis eram um povo nômade e pacífico e mantinham uma vida pastoral até que foram afrontados pelas invasões muçulmanas em sua terra natal. Antes da agressão islâmica, não há registro de invasão mongol em nenhum lugar, nem mesmo relatos de selvageria mongol. Contudo, quando os mongóis foram insultados pelos muçulmanos, seus instintos de autopreservação foram atiçados e eles assassinaram os bárbaros muçulmanos aos milhões – mais precisamente em Tabriz, Xiraz e Bagdá.

Mas quando os mongóis foram afrontados, eles foram muito mais violentos que seus inimigos islâmicos. Quando a cidade de Nishapur se rebelou contra o comandante mongol e o afilhado de Gengis Khan foi assassinado, dizem que sua filha pediu que todos na cidade fossem mortos, e segundo a história, todos morreram.

O encontro dos mongóis com os cruzados

Enquanto Gengis Khan consolidava suas conquistas na Pérsia e no Afeganistão, uma horda de 40 mil cavaleiros mongóis se dirigiu para o Azerbaijão e Armênia. Derrotaram cruzados georgianos, tomaram um centro de comércio genovês na Crimeia e passaram o inverno nas costas do Mar Negro. No momento da volta para casa defrontaram-se com 80 mil guerreiros sob a liderança do Príncipe Mistitslav de Kiev. E a batalha do rio Kalka (1223) começou. Mantendo distância das armas rústicas da infantaria, e na posse de arcos melhores que os de seus oponentes, devastaram o exército do príncipe. Ao enfrentar a cavalaria do príncipe, fingiram recuar, e avançaram os cavaleiros blindados, tomando vantagem da vaidade e arrogância dos aristocratas montados. Mais leves e com mais mobilidade, eles estenderam a luta e cansaram seus oponentes e depois os atacou, matou e cercou.

Em 1225, Genghis Khan retornou à Mongólia. Ele agora governava tudo entre o Mar Cáspio e Pequim. Fez com que os mongóis usufruírem dos benefícios do comércio das caravanas e distribuía os tributos para os povos agrícolas no leste e no oeste. E criou um eficiente sistema de comunicações. Não desejando divisões devido às religiões, proclamou a liberdade de culto por todo o império. Favoreceu a ordem e a produção geradora de tributos, também proibiu as tropas e os oficiais de oprimir o povo.

No entanto, pouco tempo depois Genghis já voltava a guerrear. Acreditava que os Tangut não cumpriam suas obrigações ao império. Em 1227, já com 56 anos, ao liderar uma ofensiva contra os Tangut, Genghis Khan, conforme se diz, caiu de seu cavalo e morreu.

Um cavaleiro mongol que podia ser incrivelmente brutal se provocado. Temos um exemplo disto ao vermos Hulagu Khan pedir ao Califa Abássida, Al-Musta’sim, para reconhecer a soberania mongol. Porém, o arrogante Khalifah (Califa) que se autoproclamava o príncipe dos fiéis (Ameer-ul-Momeenin), muito confiante na própria fama, mandou comunicar ao conquistador que qualquer ataque a sua capital mobilizaria todo o mundo islâmico, da Índia ao nordeste da África (Parecido com o que se vê hoje nos jihadistas ao ameaçarem Bush, Blair e o mundo ocidental).

Pouco impressionado com a ameaça inócua do califa, o neto de Genghis Khan deu sua resposta tomando à força a cidade de Bagdá. No final de 1257, ele liderou centenas de milhares dos cavaleiros mongóis que avançavam para dentro da capital do Império Abássida – Bagdá. No caminho, destruíram o Santuário dos Assassinos (Hashishin) em Alamut e devastaram a biblioteca onde os assassinos angariaram técnicas de homicídio e terrorismo, deste modo impossibilitando para as gerações futuras qualquer conhecimento mais profundo da doutrina perversa e das atividades nefastas dessa seita. Com este ato os mongóis prestaram um grande favor à humanidade.

O massacre dos Assassinos em Alamut pressagiou o que estava para acontecer depois de Bagdá, então a sede do Califado Islâmico.

Aproveitando-se da morte de Genghis Khan, os iranianos se insurgiram, destituíram os soberanos mongóis e mataram suas tropas. Em retaliação o novo Padish (Imperador), Hulagu Khan, neto de Genghis, invadiu novamente o Irã. Foi a partir daí que os mongóis tornaram-se ainda mais selvagens para com os habitantes muçulmanos do Irã e de outras nações que haviam subjugado. (Nota: O título de Padishah dado ao Rei fora derivado da palavra de origem Avestan Pati-Kshatra que significa chefe dos guerreiros. A utilização deste título por seu Rei denota a influência que os persas (zoroastristas) tiveram na cultura mongol. Deve-se isso a um grande número de refugiados e mercenários zoroastristas e cristãos [nestorianos] entre os mongóis do século VII ao XIII).

O cerco mongol e a captura de Bagdá em 1258

Antes de invadir o Oriente-Médio, Hulagu Khan pediu ao califa Abássida, Al-Musta’sim, o trigésimo sétimo de sua dinastia, para reconhecer a soberania mongol da mesma forma que seus antecessores outrora fizeram ao acatar a soberania dos Turcos Seljuk, que era um clã remotamente relacionado com os mongóis.

O Khalifa (Califa) que se autoproclamava o príncipe dos fiéis (Ameer-ul-Momeenin, assim como cria Osama Bin Laden), era muito confiante na própria fama, e mandou comunicar ao conquistador que qualquer ataque a sua capital mobilizaria todo o mundo islâmico, da Índia ao nordeste da África. Pouco impressionado com a ameaça inócua do califa, o neto de Gengis Khan deu sua resposta ao tomar a cidade de Bagdá pela força.

No final de 1257, ele liderou centenas de milhares dos cavaleiros mongóis que avançaram para a capital do Império Abássida – Bagdá. No caminho, destruíram o Santuário dos Assassinos (Hashishin) em Alamut e devastaram a biblioteca onde os assassinos angariaram técnicas de assassínio e terrorismo, deste modo impossibilitando para as gerações futuras qualquer conhecimento mais profundo da doutrina perversa e das atividades nefastas dessa seita. Assim, ao perpetrar isto, os mongóis prestaram um grande favor à humanidade. Quando o califa percebeu a gravidade da ameaça, se acovardou e tentou negociar.

O comissário do Califa, Ibn al-Jawzi chegou de Bagdá com uma mensagem cheias de súplicas para dissuadir o intento de Hulagu; em troca o califa se submeteria ao que fosse acordado acerca dos impostos anuais. O Califa também propôs que o nome de Hulagu fosse pronunciado nos sermões de quinta-feira nas mesquitas de Bagdá e que receberia o título de “Sultão”. Contudo era tarde demais, pois o imperador mongol já havia optado pela força. Após poucas semanas de agonizante resistência, o “Príncipe dos fiéis” não teve escolha a não ser capitular.

O emprego da mentira para assegurar-se de Bagdá e assassinar seus defensores e habitantes.

Hulagu Khan avançou contra Bagdá – a capital do Califado – de todas as direções e jogou o califa Abássida em uma posição difícil. Temendo que Bagdá pudesse ser destruída, o califa e seus três filhos, Abu’l-Fadl Abdul-Rahman, Abu’l-Abbas Ahmad e Abu’l Managib-Mubarak, apareceram em 4 de Safar de 656 [10 de Fevereiro de 1258]. Com eles vieram três mil nobres (Sayyids), sacerdotes (imans) e dignitários da cidade.

Quando, tremendo de medo, o Califa se aproximou de Hulagu Khan, o imperador (Padishah) não mostrou nenhum sinal de fúria, antes perguntou com cordialidade sobre sua saúde. Isto era um artifício que Khan retirou do manual de guerra psicológica dos muçulmanos, onde se fazia um jogo de “gato e rato” com um inimigo encurralado. “Diga ao povo da cidade para largar as armas e sair para que façamos uma contagem”. O califa comunicou que as pessoas deviam largar as armas e sair.

Os soldados muçulmanos defensores da sede do califado jogaram fora as armas e foram ao encontro dos mongóis. Mas Hulagu não cumpriu sua palavra com o califa. Tão logo foram desarmados, os mongóis fizeram conforme premeditado e exterminaram os soldados muçulmanos. Logo após, a horda mongol espalhou-se por toda a prestigiosa cidade e passou a demolir prédios, queimar os bairros, e impiedosamente massacrar homens, mulheres e crianças.

A forma como o vitorioso Hulagu Khan humilhou o califa Musta’sim, foi uma ironia histórica que vingou a humilhação do último imperador persa Yazdgard na mesma cidade (então conhecida como Ctesifonte) em 637, quando foi vencido pelos árabes muçulmanos. Numa única carga o exército mongol adentrou Bagdá e queimou tudo exceto algumas casas pertencentes aos nestorianos e alguns estrangeiros. Na quinta-feira de 9 de Safar [15 de fevereiro] Hulagu Khan foi à cidade para ver o palácio do califa. Acomodou-se no palácio octogonal e deu um banquete aos comandantes. (De certa forma é uma reminiscência de como os muçulmanos conquistaram o Palácio Branco do rei Sassânida seiscentos anos antes. A história vingou essa humilhação).

Ao intimar o califa, Hulagu disse “Você é o anfitrião, e nós somos seus convidados. Traga-nos tudo que desejarmos”. O califa – comandante de todos os muçulmanos, tremeu de medo. Ele estava tão alterado que não pôde distinguir as chaves dos cofres e teve que quebrar muitas fechaduras. Ele trouxe duzentas peças de roupas, dez mil dinares, itens preciosos, vasos com pedras incrustadas, e várias joias. Hulagu Khan não deu importância as oferendas e deu tudo aos seus comandantes e aos que ali estavam presentes.

Hulagu falou ao assustado califa “As posses que tens sobre a face da terra são aparências”, e complementou “Diga aos meus soldados quais são os seus tesouros e onde estão enterrados”. O califa confessou que havia um fosso cheio de ouro no meio do palácio. Eles cavaram e ele estava lotado de ouro, em grandes lingotes. Foi dada uma ordem para que as donzelas do harém fossem contadas. Havia setecentas mulheres e concubinas, e mil empregados. Quando o califa soube da contagem, implorou dizendo, “Deixem-me as mulheres do harém, pois sob elas a lua e o sol jamais brilharam”. Foi dito a ele “Dessas setecentas, escolha cem. E deixe o que sobrar”. O califa selecionou uma centena de mulheres dentre as suas favoritas e as de sua parentela. Naquela mesma noite Hulagu Khan foi ao Ordu (Acampamento militar mongol) violar algumas das mais sedutoras esposas e concubinas do Califa.

Todos os moradores de Bagdá foram assassinados a sangue frio. Por mais que isto tenha sido horrível, com esse único ato os mongóis retaliaram todos os seiscentos anos de carnificina dos Muçulmanos. Quase oitenta mil pessoas foram mortas em Bagdá em apenas dois dias. Hulagu aproveitou-se das táticas dos muçulmanos e as usou contra eles. Somente a comunidade cristã foi poupada, graças à intercessão da esposa cristã de Hulagu.

O fim do califado com o assassinato do califa e de sua família.

Depois do massacre de Bagdá, Hulagu ordenou que o califa e seus filhos fossem capturados e encarcerados nas tendas próximas ao Portão de Kalwadha no acampamento de Ket Buqa Noyan. Um grande contingente de mongóis foi colocado a vigiá-los. O califa chorou diante seu inexorável destino, lamentou ter abandonado o campo de batalha e rejeitado bons conselhos.

Hulagu mata o califa sem derramar uma gota de seu sangue no chão.

Logo ao cessar a matança, Hulagu Khan retirou-se de Bagdá na quarta-feira do 7º Safar [20 de fevereiro] por causa do ar contaminado pelo miasma dos cadáveres apodrecidos, e assentou-se no vilarejo de Waqaf-u-Jalabiyya. Enviou um dos seus mais temidos comandantes para conquistar o Khuzistão. Hulagu ordenou que o califa fosse enviado a Waqaf. Tendo sido submetido a requisições severas antes, estava extremamente apreensivo.

Ao fim da quarta-feira do 14º Safar de 656 [20 de fevereiro de 1258], o filho mais velho do califa, e cinco de seus servos foram executados no vilarejo de Waqaf. No dia posterior, outros que estavam junto ao califa no acampamento do Portão de Kalwadha também foram assassinados. Agora era a vez do califa. Neste momento criou-se um problema para Hulagu. De acordo com a ética mongol, nenhum rei deve ter seu sangue espirrado no chão. Isto poderia atrair mau agouro (Os mongóis consideravam o califa o rei dos muçulmanos). Então Hulagu tramou uma forma dramática de matar o califa. Embalou o califa em um carpete grosso e seus cavaleiros o pisotearam até a morte. Desta forma Musta’sim morreu asfixiado e pisoteado, sem que seu sangue fosse derramado no chão.

Na manhã seguinte, Hulagu ordenou que Su’unchaq voltasse à cidade para confiscar as posses do califa e levá-las. Os itens haviam sido acumulados durante seiscentos anos dos tesouros dos persas zoroastristas sassânidas a quem os árabes derrotaram e roubaram. Essas relíquias foram organizadas em pilhas gigantescas. A maioria dos lugares sagrados aos muçulmanos como a mesquita do califa, o templo Musa-Jawad, e as criptas em Rusafa foram queimadas.

O primeiro erro de Hulagu que levou à derrota dos mongóis pelos muçulmanos.

Enquanto ocorria esse terrível genocídio e destruição, o povo da cidade enviou Sharafuddin Maragha’i, Shihabuddin Zanjani e Malik Dilrast para pedir anistia.

Em réplica foi dada uma ordem que dizia: “Doravante o assassínio e pilhagem cessarão, já que o reino de Bagdá já é nosso. Deixem que habitem onde estão, e permitam que todos continuem a cuidar de seus interesses. Embainhem suas espadas e não os maltratem”. Este foi o primeiro erro que os mongóis cometeram, pois com a vantagem dessa anistia os muçulmanos passaram a se reorganizar militarmente, e esperaram pelo dia em que os mongóis baixassem a guarda, para assim lançarem-se sobre eles quando menos esperassem e obterem a vingança que ardentemente ansiavam contra os mongóis.

No Iraque, os mongóis retribuíram os muçulmanos na mesma moeda, com os mesmos subterfúgios, artifícios e crueldade. Todos atributos até então estritamente associados aos muçulmanos. De fato, foi por esta razão que os mongóis alcançaram vitórias extraordinárias sob os muçulmanos e foram a primeira força não muçulmana a arrebatar Bagdá, a capital do Califado Islâmico. Os motivos para o sucesso mongol deveriam servir de lição para nós (americanos). Compreendemos que os americanos não podem ser tão sangrentos quanto foram os mongóis. Contudo, o fato a ser notado é que os muçulmanos entendem apenas a linguagem da violência e da morte, apenas respeitam inimigos mais violentos que eles, desprezam qualidades como cavalheirismo, equidade, compaixão e perdão. Estas qualidades são para os muçulmanos um sinal da fraqueza e burrice de seus antagonistas. Nós americanos somos hoje o principal alvo dos jihadistas, e precisamos entender o que pode ser efetivo contra os muçulmanos e usar os equivalentes modernos dos assassinatos em massa, tais como nossos arsenais nucleares e de nêutrons, para desta forma realizar aquilo que as lâminas das espadas mongóis conseguiram no século XIII.

Após a morte brutal do califa, seus outros filhos e parentes foram forçados para dentro de barris que tinham pregos em seu interior, e depois jogados colina abaixo. Desse jeito o sangue deles também não foi derramado, e a antiga tradição mongol foi honrada. Posterior a isso nenhum Abássida que fosse encontrado escaparia com vida.

O segundo erro de Hulagu levou a uma gradual conversão do povo mongol ao Islamismo.

Ao fim do massacre da família do califa, apenas seu filho mais novo sobreviveu. Hulagu decidiu poupá-lo e ele foi dado a Oljai Khatun, que o mandou para Khwaja Nasiruddin em Maragha. Ele se casou com uma mulher mongol que lhe deu dois filhos. Este foi o segundo erro de Hulagu. Ao permitir o casamento de uma mulher mongol com um prisioneiro muçulmano e também de mulheres muçulmanas com guerreiros mongóis, o Islã abriu uma porta dos fundos no acampamento mongol. Influenciados por suas esposas os guerreiros mongóis gradativamente converteram-se ao Islã, e uma geração após a morte de Hulagu, professavam abertamente o Islamismo. De fato, foram esses convertidos ao Islã entre os mongóis que invadiram a Índia e estabeleceram o reino Mughal (derivado de Mongol).

Na quinta-feira do 16º Safar [22 de fevereiro] todos os filhos e parentes do califa foram sentenciados a morte e o reino da Casa de Abbas, que se apossaram do trono depois dos Umayyads, chegou ao fim. Seu califado havia durado quinhentos e vinte cinco anos, e houve trinta e sete califas começando por Abu Bakr, Umar, Uthman, Ali, Abu Muawiya ibn Sufyan entre estes Musta’sim foi o último e foi assassinado por Hulagu Khan.

A marcha de Hulagu até Bagdá e como os muçulmanos rendidos mostraram reverência aos mongóis.

Na quinta-feira 23 de Safar [1º de março] Hulagu Khan deixou as redondezas de Bagdá e acampou no domo de Shaykh Makarim. Dali ele prosseguiu pouco a pouco até o acampamento mongol em Khanaquin, erguido pela vanguarda da cavalaria mongóis. Quando Bagdá estava sitiada, alguns Alims vieram de Hilla suplicar pela Shahna (perdão a realeza como meio de rendição).

Hulagu Khan enviou Tukal e Amir Nahli Nakhjiwani para lá, e em seus encalços mandou Buga Temiir, irmão de Oljai Khatun, para testar a lealdade do povo de Hilla, Kufa e Wasit. Os residentes de Hilla, ao saber do ocorrido em Bagdá, entregaram-se sem luta e saudaram o exército mongol, construíram pontes sob o Eufrates para o exército atravessar, e fingiram estar felizes com a chegada dos mongóis.

Os xiítas traíram o califado sunita e deram sua lealdade aos mongóis como forma de terem suas vidas poupadas.

Em alguma medida essa alegria era real, para esses muçulmanos xiitas era um alívio se ver livre do jugo do califa sunita. De modo análogo aos xiitas que nos receberam bem por temos deposto Saddam Hussein.

Após o saque de Wasit, Hulagu Khan foi ao Khuzistão, levando Sharafuddin Ibn al-Jawzi como refém com ele para que a cidade de Shushtar se rendesse. Alguns soldados do califa e turcos fugiram, e outros foram mortos. Basra e outras cidades como Najaf e Karbala também se renderam sem lutar. Ironicamente, o principal clérigo xiita, Amir Sayfuddin Bitigchi, implorou a Hulagu Khan que enviasse uma centena de mongóis a Najaf para guardar o santuário do Comandante dos Fiéis de Ali e os habitantes. Imagine muçulmanos buscando infiéis para proteger um santuário muçulmano. Esta era a moral muçulmana em seu ponto mais baixo e abjecto, um fundo do poço a que eles raramente chegaram desde então.

Mas quando confrontado com um adversário tolerante e liberal, a marca da psique muçulmana é a arrogância, a crueldade e o atrevimento, como visto na Holanda, no Reino Unido (o Al Mujahiroun), na França e até mesmo nos EUA (o 11 de setembro é apenas a sua mais dramática expressão). Todavia foram os mongóis sob o Genghis Khan e Hulagu Khan quem ensinaram aos muçulmanos não apenas a humildade, mas também o servilismo durante o curto período de tempo no qual eles lançaram o Califado na lata de lixo da História.

A invasão mongol da Síria e da Palestina

Esta tradução da carta de Hulagu é de Jumi’u’t-Tawarikh (Compêndio de Crôricas): A History of the Mongols, traduzida por W.M. Thackston (Fontes de Línguas e Literaturas Orientais 45, 1998-99).

No dia 12 de Rabi [19 de março], eu, Buqa Temur, cheguei ao acampamento e, no dia 19 [26 de março], os emissários de Aleppo e Damasco na Síria que vieram a Bagdá foram enviados de volta levando uma carta ao povo de Damasco e Aleppo que Khwaja Nasiruddin Tusi escreveu em árabe, conforme a ordem de Hulagu Khan. Esta carta dizia: “Paramos em Bagdá no ano 656 (do Calendário muçulmano que se traduz como 1258 do calendário gregoriano), e uma manhã terrível foi para aqueles que foram advertidos em vão. Pedimos a seu senhor (o Califa) que se rendesse, mas recusou, então ele sofreu. Nós o castigamos com um pesado castigo. Agora, convidamos você a nos obedecer. Se você vier, muito bem; se você recusar, cairá em desgraça. Não seja como aquele que cava sua própria sepultura ou sangra seu próprio nariz, para que não seja um daqueles cujas obras são em vão, cujo esforço na vida atual foi direcionado erroneamente e que pensam que fazem o trabalho certo. Nem isso será difícil com Deus. E a paz seja com aquele que segue o caminho certo.” Damasco se rendeu logo depois.

A carta de Hulagu (ou antes, o ultimato) ao Khalifah (califa) do Islã lembrava muito as cartas que o profeta muçulmano Mohammed-ibn-Abadallah enviou aos imperadores do Império Persa e do Império Bizantino para abraçarem o Islã e permanecerem seguros, ou então enfrentarem uma invasão muçulmana. Com Hulagu enviando cartas semelhantes, eles agora colheriam as tempestades que semearam!

O retorno de Hulagu à Mongólia e a consequente derrota dos mongóis na Palestina

Acreditava-se que os exércitos mongóis eram irrefreáveis depois de conseguirem vencer as defesas de Bagdá e Damasco. Em 1260 Hulagu enviou representantes a Saif ad-Din Qutuz, o governante dos mamelucos no Cairo, exigindo sua rendição; Qutuz respondeu matando os representantes e exibindo a cabeça nos portões da cidade. Mas infelizmente, quando Qutuz preparou-se para uma invasão dos mongóis, Hulagu voltou para casa para tentar tomar o poder quando seu irmão, o Grande Khan Mongke, morreu.

Qutuz então aliou-se com um companheiro mameluco, Baubars, que fugira da Síria depois que os mongóis capturaram Damasco. Os mongóis também tentaram aliar-se com o remanescente do Reino dos Cruzados de Jerusalém, agora centrado na cidade de Acre, mas o papa Alexandre IV proibiu a aliança. Os cristãos permaneceram neutros. Esta foi o pecado capital dos cristãos, pelo qual os cruzados pagariam muito caro logo após a derrota dos mongóis em Ayn Jalut.

Quando Hulagu Khan partiu da Síria, enviou um emissário mongol com quarenta homens vassalos em uma missão ao Egito, dizendo: “Deus, o grande, elevou Genghis Khan e sua progênie e nos deu todos os reinos da face da terra. Todos os que foram recalcitrantes em nos obedecer foram aniquilados, junto com suas mulheres, filhos, amigos e parentes, cidades e servos, como certamente chegou ao ouvido de todos. A reputação de nosso inumerável exército é tão conhecida como as histórias de Rustam e Isfandiar. Se você se submeter à nossa corte, envie tributo, venha pessoalmente, e solicite um Shahna (o perdão real como instrumento de rendição), caso contrário, esteja preparado para a batalha “.

A marcha mongol em direção ao Egito

Depois de enviar este ultimato, os mongóis invadiram Damasco e Alepo, sem muita luta, e começaram a marchar para o Egito atravessando a Palestina. Os egípcios tremiam com a ideia de que eles seriam os próximos a serem abatidos pelos implacáveis mongóis. Decidiram ir de encontro aos mongóis antes que o inimigo alcançasse o Egito. Então enviaram um exército para a Palestina. Tanto o exército muçulmano como o mongol acamparam na Palestina em julho de 1260.

Naquele tempo o Egito vinha sendo governado por uma dinastia muçulmana chamada Kamilitas. Mas em 1260 não havia mais ninguém da linhagem Kamilita digno de governar, e um oportunista turcomano chamado Quduz tornou-se governante quando o último rei Kamilita morreu. O rei tinha deixado um filho ainda criança chamado Muhammad, que foi elevado à posição de seu pai com Quduz como seu Atabeg (protetor do regente). Mas o pequeno príncipe Muhammad foi assassinado por Quduz, que se proclamou o governante do Egito. Ele conseguia apoio das pessoas através da generosidade. A maioria dos soldados dos exércitos muçulmanos na Síria eram as tropas derrotadas do sultão Jalaluddin que fugiram dos portões de Bagdá e fugiram para a Síria e depois para o Egito à frente do avanço do mongóis. Seus líderes e comandantes eram Barakat Khan e Malik Ikhtiyaruddin Khan. Quando Hulagu Khan partiu para a Síria, eles se esconderam nas áreas circundantes, e depois que ele se retirou, eles se reuniram e se dirigiram para o Cairo no Egito, onde contaram sua triste história a Quduz, o implacável massacre mongol dos muçulmanos em Bagdá e Damasco. Quduz os apoiou, simpatizou com eles e deu-lhes generosidade sob a forma de recursos e dinheiro. Por sua vez, eles se tornaram partidários de todo o coração do governo de Quduz.

Quando os emissários mongóis chegaram, Quduz convocou os refugiados muçulmanos de Bagdá e Damasco e consultou-os sobre o que fazer. Eles lhe disseram; “Hulagu Khan saiu de Turan com um enorme exército para o Irã, e ninguém, califa, sultão ou malik, teve a capacidade de resistir sua investida. Tendo conquistado todas as terras, ele chegou a Damasco, e se não fosse pela notícia da morte de seu irmão, ele também teria adicionado o Egito às suas conquistas. Além disso, ele colocou nesta área Ket Buqa Noyan, que é como um leão furioso e um dragão que respira fogo atacando numa emboscada. Se ele ataca o Egito, ninguém poderá lutar com ele ”.

Em resposta, Quduz disse: “Atualmente, em todo lugar em Diyarbekir, Diyar Rabi’a e Grande Síria está cheio de lamentação. A terra de Bagdá até a Anatólia está em ruínas, desprovida de agricultores e sementes. Se não fizermos uma tentativa preventiva e tentarmos repeli-los, logo o Egito será destruído como os outros. Dada a multidão que vem com ele em nossa direção, devemos escolher entre três opções: tentar uma trégua, oferecer resistência ou ir para o exílio. O exílio é impossível, pois não podemos ir além do norte da África, e um deserto vasto e sedento de sangue nos separa de lá.” “Uma trégua também é imprudente”, disse Nasiruddin Qaymari, “porque a palavra deles (mongol) não é confiável.” Os outros comandantes disseram: “Também não temos o poder de resistir. Você deve dizer qual é o melhor plano.” “Minha opinião”, disse Quduz, “é irmos para a batalha juntos. Se ganharmos, muito bem; se não, o povo não poderá nos culpar.”

Depois disso, os comandantes concordaram, e Quduz consultou-se em particular. com Bunduqdar, seu comandante-em-chefe “Minha opinião”, disse Bunduqdar, “é que devemos matar os emissários mongóis e nos unirmos para atacar Ket Buqa. Vencendo ou morrendo, em ambos os casos, não seremos culpados, e teremos a gratidão das pessoas.” Quduz aprovou este plano e, de noite, ele mandou decapitar os emissários e colocou suas cabeças em postes nos portões de sua capital Al Fustat (Cairo).

O Comandante Baidar, que era o líder do yazak (tropa avançada) mongol, enviou um homem a Ket Buqa Noyan para informá-lo deste ultraje e do movimento das tropas egípcias.

A Batalha de Ayn Jalut (3 de setembro de 1260)

Quando Ket Buqa ouviu falar do acontecido, ordenou que as tropas se preparassem para a batalha e recomendou: “Fiquem onde estão e me esperem”. Porém antes que Ket Buqa lá chegasse, Quduz atacou a guarda avançada mongol e dirigiu-os para as margens do Orontes. Ket Buqa Noyan, com o entusiasmo agitado, sentiu reacender como fogo toda confiança em suas próprias forças e poder. Os dois exércitos finalmente se encontraram em Ain Jalut em 3 de setembro, com ambos os lados com cerca de 20.000 homens (a força mongol era originalmente muito maior, mas Hulagu levou a maior parte quando voltou para casa). Os mamelucos atraíram a cavalaria mongol com uma falsa retirada e quase não conseguiram resistir ao assalto. Quduz havia colocado suas tropas em emboscada e, ele próprio montado com alguns outros, esperava. Quando o desavisado Ket Buqa chegou com a cavalaria mongol principal, Quzuz atacou a ele e a todos esses milhares de experientes cavaleiros em Ayn Jalut.

Os mongóis atacaram, fizeram chover flechas, e Quduz simulou uma retirada. Encorajados, os mongóis cavalgaram atrás dele, matando muitos egípcios, mas quando chegaram ao local da emboscada, a armadilha fechou-se de três lados. Começou uma batalha sangrenta, que durou desde o amanhecer até o meio dia. Os mongóis não conseguiram resistir e, no final, foram forçados a fugir. Ket Buqa Noyan continuou a atacar à esquerda e à direita com todo entusiasmo. Alguns o encorajaram a escapar, mas ele se recusou a ouvir e disse: “A morte é inevitável. É melhor morrer com um bom nome do que escapar em desgraça. No final, alguém desse exército, antigo ou jovem, voltará à corte e informará que Ket Buqa, que não queria voltar coberto pela vergonha, deu sua vida em batalha.”

As últimas palavras de Ket Buqa Noyan foram “Diga ao meu Padishah Hulagu Khan que ele não deveria se afligir pelos soldados mongóis perdidos. Deixe-o imaginar que as esposas dos seus soldados não estiveram grávidas por um ano e as éguas dos seus rebanhos não se dobraram. Que a felicidade esteja com o Padishah. Quando o seu nobre ser está bem, cada perda fica compensada. A vida ou a morte de servos como nós é irrelevante.” Hulagu foi informado sobre Ket Buqa Noyan que, apesar de muitos soldados mongóis o terem deixado, continuou a lutar na batalha como mil homens. No final, seu cavalo vacilou, e ele foi capturado. Perto do campo de batalha havia uma cama de junco em que uma tropa de cavalaria mongol estava escondida. Quduz ordenou que o fogo fosse jogado, e todos foram queimados vivos. Depois disso, Ket Buqa foi levado ante Quduz com as mãos amarradas. “Homem desprezível”, disse Quduz, “você derramou tanto sangue injustamente, com falsas garantias acabou com a vida de campeões e dignitários, e com promessas vazias derrubou antigas dinastias. Agora finalmente é você mesmo que cai em uma armadilha.”

Quando aquele cujas mãos estavam presas ouviu essas palavras, ele se levantou como um elefante louco; e respondeu, dizendo: “Ó orgulhoso, não se orgulhe neste dia da vitória”. “Se eu for morto por sua mão”, disse Ket Buqa, “considero que é um ato de Deus e não seu. Não se deixe enganar por este acontecimento nem por um momento, pois quando a notícia da minha morte chegar a Hulagu Khan, o oceano de sua ira se ferverá, e o chão do Azerbaijão até os portões do Egito tremerá com os cascos dos cavalos mongóis. Eles levarão as areias do Egito nos focinhos de cavalos. Hulagu Khan tem trezentos mil cavaleiros de renome como Ket Buqa. Em mim, você pode eliminar apenas um deles.” Quduz disse:” Não fale tão orgulhosamente dos cavaleiros de Turan, porque eles realizam atos com trapaça e artifícios, sem a masculinidade que temos nós, muçulmanos (sic)”. “Enquanto eu viver”, respondeu Ket Buqa, “eu serei o servo de Padishah, não um rebelde e um regicida como você! Acabe comigo o mais rápido possível.” Quduz, em estilo muçulmano típico, ordenou que a cabeça dele sfosse cortada do corpo e exibida para os soldados mongóis em retirada.

Com Ket Buqa morto, os mongóis foram forçados a recuar para a Síria e depois em direção a Bagdá. Mas Quduz não viveu muito tempo para saborear a vitória. No caminho de volta ao Cairo, as tropas leais à antiga dinastia real mataram Quduz.

Após a batalha de Ayn Jalut, os exércitos muçulmanos cobriram toda a Síria até as margens do Eufrates, derrotando todos os que encontraram, saqueando o acampamento de Ket Buqa, levando presa sua esposa, filho e partidários e matando os cobradores de impostos. Somente os mongóis que estiveram alertas puderam escapar, e quando a notícia da morte de Ket Buqa Noyan e de suas últimas palavras chegou a Hulagu Khan, ele demonstrou sua dor por essa morte e seu fervor se atiçou para vingan essa derrota.

Mas outra invasão mongol ao mundo muçulmano não viria a acontecer. Hulagu permaneceu confinado aos assuntos de sua terra natal e nunca conseguiu iniciar outra invasão. Após sua morte, a Horda de Ouro mongol governou o maior império até então, que se estendeu da China para Moscovo (atual Moscou). Entretanto uma tendência que começou a ganhar força entre os mongóis foi a conversão furtiva ao Islã. Isso terminaria por eliminar qualquer outra tentativa mongol de ameaçar o domínio islâmico.

Enquanto isso, os truculentos exércitos muçulmanos não pararam de expulsar os mongóis do Oriente Médio, e também deram o golpe final contra os Cruzados que ocupavam Acre e Antioquia, ao capturar o último bastião Cruzado em 1291. Enquanto ainda tinham chance os Cruzados desprezaram os mongóis e não se aliaram a eles contra os muçulmanos. Agora, os muçulmanos derrotaram seus inimigos um após o outro, e ambos, Mongóis e Cruzados, se tornaram águas passadas no Oriente Médio.

A oportunidade perdida para uma Aliança Mongol-Cruzados

Depois de destruírem o Império Corásmio na Ásia Central, os mongóis enviaram batedores aos Cruzados e, através deles, ao Papa para uma ampla aliança antimuçulmana. Ao ser informado de que os Mongóis tinham boa disposição em relação ao cristianismo, o Papa Inocêncio IV os enviou Giovanni di Pianocarpini, um franciscano, e Nicolas Ascelin, um dominicano, como embaixadores. Pianocarpini estava em Karakorum em 8 de abril de 1246, o dia da eleição do grande Khan, mas nada resultou dessa primeira tentativa de aliança com os mongóis contra os muçulmanos.

No entanto, quando São Luís, que partiu de Paris em 12 de junho de 1248, chegou à Ilha de Chipre, recebeu lá uma embaixada amistosa do Grande Khan e, em resposta, enviou dois dominicanos.

Muitos outros reis, especialmente Hayton, Rei da Armênia (1307, ed. Armenian Documents, I), cogitaram de uma aliança entre os cristãos e os mongóis que haviam assaltado a Pérsia e a Mesopotâmia antes de entrarem na Síria e na Palestina. Uma aliança cristã-mongol era indispensável para o sucesso contra o inimigo comum – os muçulmanos.

De fato, desde o final do século XIII muitos missionários penetraram no Império Mongol; na Pérsia, bem como na China, sua propaganda floresceu. São Francisco de Assis e Raymond Lully tinham esperanças na conversão dos Mongóis ao Cristianismo. Alguns dos Mongóis membros da Igreja Nestoriana receberam essas delegações de bom grado.

Durante o pontificado de João XXII (1316-34), estabeleceu-se missões dominicanas e franciscanas permanentes na Pérsia, na China, na Tartária e no Turquestão e, em 1318, foi criado o Arcebispado de Sultanieh na Pérsia. Na China, Giovanni de Monte Corvino, Arcebispo de Cambaluc (Pequim), organizou a hierarquia religiosa, criou mosteiros e converteu ao Cristianismo homens notáveis, incluindo o próprio grande Khan. O relato da jornada do Beato Orderic de Pordenone (Cordier, ed.) por toda a Ásia, entre 1304 e 1330, mostra-nos que o cristianismo havia se firmado na Pérsia, na Ásia Central e no sul da China.

Ao conduzir uma aliança entre mongóis e cristãos contra os muçulmanos, as Cruzadas produziram o efeito desejado; no começo do século XIV, o desenvolvimento futuro do Cristianismo no Oriente parecia seguro. Infelizmente, no entanto, os Mongóis encontraram a derrota na Batalha de Ayn Jalut (Olho de Golias) na Palestina (Israel de hoje), e mudanças internas que ocorreram no Ocidente levaram ao enfraquecimento da influência política dos papas. Isso levou a uma cessação gradual do contato entre a Cristandade e o grande Khan dos mongóis, e os únicos povos turco-mongóis a abraçar o Cristianismo foram os turcos búlgaros (muitos não sabem que os búlgaros eram de origem turca e a palavra Bulgar é derivada da palavra turca Bulgha, que significa misturar).

Enfim, a tencionada aliança com os Mongóis nunca foi plenamente realizada. Foi em vão que Argoun Khan da Pérsia enviou o monge nestoriano, Raban Sauma, como embaixador ao Papa e aos príncipes do Ocidente (1285-88); suas ofertas suscitaram respostas vagas do Papa e a maioria dos mongóis se voltou para o Islã, fazendo da Ásia Central uma terra Muçulmana.

Dentre os Mongóis que se converteram ao Maometanismo estava Tamerlão, que demonstrou sua hostilidade aos cristãos tomando a cidade de Esmirna dos cruzados para os Muçulmanos. Foi o rompimento final entre os cristãos e os congóis pagãos e, dali em diante, a maioria dos povos mongóis (exceto os da própria Mongólia) tornou-se muçulmana. Os mongóis muçulmanos compreendem os cazaques, os uigures, os uzbeques, os tadjiques e os quirguízes de hoje. Quando os mongóis perderam para o inimigo muçulmano, os cruzados perderam seu último aliado possível e, assim, no final do Século XIII, as Cruzadas chegaram ao fim.

Lições da Oportunidade Perdida de uma Aliança Mongol-Cruzados

A aliança Mongol-Cruzados tinha o potencial de eliminar a ameaça islâmica à civilização ainda no Século XII. Entretanto nenhuma das partes conseguiu enxergar além de seus interesses imediatos. Os líderes da Cruzada, e especialmente o Papa, insistiram na conversão dos mongóis ao Cristianismo, antes de formar uma aliança. Este foi o principal obstáculo para os cruzados unirem forças com os mongóis em 1260 na Batalha de Ayn Jalut (Olho de Golias). O resultado foi que ambos, mongóis e cruzados, foram derrotados em separado pelos muçulmanos. No final ambos perderam e a civilização continuou sob ameaça do Islã, como está até hoje.

Hoje nós americanos devemos perceber que, além de fazer as pazes com a Rússia, um poderoso aliado na batalha contra a Jihad, precisamos nos juntar aos chineses que conseguiram domar a Jihad na China. Sintomaticamente, os chineses representam os mongóis de outrora. Os chineses procedem da mesma origem étnica, e carregam em seus genes a “arte da guerra” como proposta por Sun Tzu.

Devemos lembrar que, após as invasões cruzadas e mongóis nos domínios islâmicos, os muçulmanos levaram apenas um século para se reagrupar e lançaram uma nova invasão à Europa, que culminou com a queda de Constantinopla em 1453 e, a certa altura, levaria os muçulmanos para Viena em 1683 e até as fronteiras da Polônia e da Prússia.

Felizmente, a valentia do rei polonês Jan Sobeiski impediu os Turcos de tomarem Viena. E os heróis anônimos sérvios, croatas, gregos, espanhóis, francos (franceses), italianos, búlgaros, húngaros, austríacos, russos e prussianos expulsaram os muçulmanos da Europa em uma luta que durou mais de quatrocentos anos, de 1350 a 1918.

O espírito mongol é personificado hoje em Islã Karimov

Hoje, o espírito mongol que uma vez se expressou nas pessoas de Gengis Khan e Hulagu Kan expressa-se na pessoa de Sua Excelência Islã Karimov, presidente do Uzbequistão.

Islã Karimov deteve a insurgência islâmica no Uzbequistão com mão de ferro. No Uzbequistão (como no mundo inteiro), o Hizb-ut-Tahirir (HUT) quer derrubar o regime secular doe Karimov e substituí-lo por um Emirado Islâmico tal como o do Talibã. Entretanto no Uzbequistão, os membros do HUT acabam suando frio quando percebem que eles foram e seriam vaporizados para a extinção se enfrentassem a fúria fervente do Sr. Karimov (sem trocadilhos em “ferver” aqui).

Muitos comentaristas de esquerda condenariam as táticas de Karimov como sendo selvagens, mas todos eles teriam de engolir o sucesso de Karimov contra os animais da HUT. Este é o único modo bem-sucedido que o mundo tem para lidar com o Islã, se quisermos vencer a Guerra contra o Terror. É uma lição que devemos aprender com o saque de Hulagu a Bagdá em 1258 e as políticas de Islã Karimov hoje.

Bibliografia Selecionada

The Mummy, Funeral Rites & Customs in Ancient Egypt, by Ernest A. Wallis Budge, reprint of 1893 edition by Senate Studio Editions 1995

The Twilight of Ancient Egypt, First Millennium B.C.E., by Karol Mysliwiec, translated by David Lorton, Cornell University Press2000

Egypt in The Age of Cleopatra, by Michel Chauveau, translated by David Lorton, Cornell University Press, 2000

Women in Ancient Egypt, by Gay Robins, Harvard University Press, 1996

Women and Society in Greek and Roman Egypt: A Source Book by Jane Rowlandson, Cambridge University Press, 1998

The Chronicle of John Coptic Bishop of Nikiu (circa 690 A.D.), translated by Robert Henry Charles, reprint from 1916 edition, APA-Philo Press Amsterdam, Holland

The Vanished Library, A Wonder of The Ancient World, by Luciano Canfora, University of California Press

The Story of The Church of Egypt, Volumes I and II, by Edith L. Butcher, reprint of 1897 edition by AMS Press Inc, New York, N.Y 1975

Coptic Egypt, by Murad Kamil, Le Scribe Egyptien, 1968

Traditional Egyptian Christianity, A History of the Coptic Church, by Theodore. Hall Patrick, Fisher Park Press, 1999

Muslim Extremism in Egypt, The Prophet and the Pharaoh, by Gilles Kepel, University of California Press 1993

Ancient Egyptian Culture, published by Chartwell Books, Edison, N.J. 1998.

Samson Blinded: A Machiavellian Perspective on the Middle East Conflict, by Obadiah Shoher

Jihad in the West: Muslim Conquests from the 7th to the 21st Centuries (Hardcover) by Paul Fregosi

The Sword of the Prophet: History, Theology, Impact on the World by Srdja Trifkovic

Islam Unveiled: Disturbing Questions About the World’s Fastest Growing Faith by Robert Spencer

Studies in Muslim Apocalyptic (Studies in Late Antiquity and Early Islam) by David Cook

Why I Am Not a Muslim by Ibn Warraq

Onward Muslim Soldiers by Robert Spencer

Eurabia: The Euro-Arab Axis by Bat Ye’Or

Islam and Dhimmitude: Where Civilizations Collide by Bat Yeor

What the Koran Really Says: Language, Text, and Commentary by Ibn Warraq

Islam and Terrorism: What the Quran Really Teaches About Christianity, Violence and the Goals of the Islamic Jihad by Mark A. Gabriel, Mark A. Gabriel

A Concise History of the Crusades by Thomas F. Madden

The Politically Incorrect Guide to Islam (and the Crusades) by Robert Spencer

The Great Divide: The failure of Islam and the Triumph of the West by Marvin Olasky

The Myth of Islamic Tolerance: How Islamic Law Treats Non-Muslims by Robert Spencer

Islam Unveiled: Disturbing Questions About the World’s Fastest Growing Faith by Robert Spencer, David Pryce-Jones

The Koran (Penguin Classics) by N. J. Dawood

Don’t Keep me Silent! One Woman’s Escape from the Chains of Islam by Mina Nevisa

Christianity And Islam: The Final Clash by Robert Livingston

Holiest Wars : Islamic Mahdis, Their Jihads, and Osama bin Laden by Timothy R. Furnish

The Last Trumpet: A Comparative Study in Christian-Islamic Eschatology by Samuel, Ph.D. Shahid

Unleashing the beast: How a fanatical islamic dictator will form a ten-nation coalition and terrorize the world for forty-two months by Perry Stone

Contemporary Muslim Apocalyptic Literature (Religion and Politics) by David Cook

Islam and the Jews: The Unfinished Battle by Mark A., Ph.D. Gabriel

The Challenge of Islam to Christians by David Pawson

The Prophetic Fall of the Islamic Regime by Glenn Miller, Roger Loomis

Prophet of Doom : Islam’s Terrorist Dogma in Muhammad’s Own Words by Craig Winn

The False Prophet by Ellis H. Skolfield

The Approach of Armageddon: An Islamic Perspective by Muhammad Hisham Kabbani

The Cube and the Cathedral: Europe, America, and Politics Without God by George Weigel

Infiltration : How Muslim Spies and Subversives have Penetrated Washington by Paul Sperry

Unholy Alliance : Radical Islam and the American Left by David Horowitz

Unveiling Islam : An Insider’s Look at Muslim Life and Beliefs by Ergun Mehmet Caner

Perfect Soldiers : The Hijackers: Who They Were, Why They Did It by Terry McDermott

Islam Revealed A Christian Arab’s View Of Islam by Anis Shorrosh

Leaving Islam: Apostates Speak Out by Ibn Warraq

The Origins of the Koran: Classic Essays on Islam’s Holy Book by Ibn Warraq