QUEERMUSEU SANTANDER: UM CASO PURAMENTE LEGAL?


Este ARTIGO foi publicado originalmente neste SITE

HEITOR DE PAOLA / 13-09-2017

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Ainda no gozo das minhas férias deparo-me com a brutalidade da exposição “cultural” do Banco Santander. Não tive acesso a todas as imagens, mas as que vi me bastam para  evidenciar a selvageria que tomou de assalto o termo cultura: em seu nome cometem-se as maiores barbaridades impunemente. Já sabíamos disto, mas o caso em apreço extrapola todos os limites da sanidade.

Surpreendeu-me a posição legalista do amigo e Professor Olavo de Carvalho. Diz ele (Caso Santander: vilipêndio a culto é ilegal, e isso basta): “O que está em questão no episódio não são opiniões pró e contra isto ou aquilo, mas a simples TIPIFICAÇÃO LEGAL DE UM CRIME. O texto da lei é claro: “Vilipendiar objeto de culto.” Ponto final. É só disso que se trata. A lei é a mesma para gayzistas e antigayzistas, progressistas e conservadores, cristãos e anticristãos”.

Data vênia, não me parece ser apenas “disto que se trata”, pois alguns dos símbolos conspurcados são anteriores à existência de quaisquer leis humanas e as transcendem. Colocar um macaco nos seios da Virgem Maria não é uma questão legal, mas um ataque direto ao que há de mais sagrado no Cristianismo. Mesmo sendo um Cristão “capenga” – por não me filiar a nenhuma denominação – sinto que tais ataques devem, sim, ser revidados de forma ideológica e que fazê-lo não se trata de “tagarelice ideológica (e) trapaça”.

Diferentemente de outros criticados pelo Olavo não “encho a boca“ para me dizer cidadão e estou me lixando para esta bobagem de “exercício da cidadania”, que mais me parece saído da pena de Antonio Gramsci. A lei depende de circunstâncias culturais – o mais das vezes inculturais – e da conveniência dos poderosos de plantão. Basta uma nova lei para invalidar a anterior. Indivíduos altamente incapacitados, beócios com poder recebido pelo voto – “exercício da cidadania” – podem propor e aprovar uma lei que revogue o Art. 208 do CP em nome da “liberdade de expressão”. E aí deveríamos calar a boca em nome do “exercício da cidadania”?

Esta exposição é mais um passo na revolução cultural e deve ser enfrentado como tal, e não somente apelando para processos legais (embora isto também seja importante).

Nos EUA esta exposição seria absolutamente legal em função da 1ª Emenda. Nem por isto os conservadores americanos cessam a luta ideológica e política contra os avanços às vezes inexoráveis da esquerda revolucionária.

Se li bem, o próprio termo (Queermuseu) denota claramente a intenção não apenas de vilipendiar imagens sagradas, mas também escarnecer dos próprios fundamentos da Civilização Ocidental fazendo proselitismo da ideologia de gênero. Pior ainda: o alvo são nossas crianças em idade ainda imatura sexualmente. Pois sim, já que queer, inicialmente uma gíria inglesa para “estranho”, “esquisito”, “ridículo” ou “extraordinário”, hoje é usado para representar gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros, de forma análoga à sigla LGBT. (Não que aqueles adjetivos originais não possam ser usados em relação a estes últimos).

Aviso aos que já começaram a se masturbar antevendo um “racha” naquilo que chamam “hostes olavianas”: não haverá orgasmo, pois este texto nada mais significa do que uma divergência pontual entre amigos.

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